A Polícia Civil do Acre concedeu uma coletiva de imprensa neste domingo (26) para prestar esclarecimentos sobre o caso do bebê prematuro declarado morto e encontrado com sinais vitais durante o velório, em Rio Branco. A criança, que estava internada na Maternidade Bárbara Heliodora, morreu novamente na noite de domingo, por volta das 23h15, após apresentar um quadro de choque séptico e sepse neonatal, segundo nota oficial da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).
A coletiva reuniu os delegados Pedro Paulo Buzolim, Alcino Júnior e o médico-legista Ítalo Maia, na Divisão Especializada de Investigação Criminal (DEIC), onde o caso é apurado.
O delegado Pedro Paulo Buzolim explicou que o inquérito foi instaurado logo após a denúncia da família e que a polícia já representou pela apreensão de documentos e imagens da maternidade.
“A família comunicou o fato na Delegacia de Proteção à Mulher logo após o ocorrido, quando identificaram que o recém-nascido ainda estava com vida. O delegado de plantão colheu os depoimentos, instaurou o inquérito policial e representou pela apreensão dos documentos e das imagens da maternidade Bárbara Heliodora, já que estamos apurando se houve falha médica durante o parto do prematuro que veio a óbito”, afirmou Buzolim.
O delegado Alcino Júnior destacou que a decisão judicial que permitiu o acesso à maternidade tinha dois objetivos: coletar o prontuário médico e identificar todos os profissionais envolvidos no atendimento.
“Vamos ouvir todas as pessoas que tiveram contato com a criança. A investigação está no início e estamos encaminhando os prontuários para análise pericial. Há duas fases: verificar se os protocolos foram cumpridos e, depois, entender a causa da morte, considerando que o bebê ficou cerca de 12 horas no necrotério antes de apresentar sinais de vida”, disse Alcino.
O médico-legista Ítalo Maia ressaltou que é cedo para tirar conclusões, mas citou a possibilidade de o caso estar relacionado à chamada Síndrome de Lázaro, fenômeno raro em que há retorno de sinais vitais após a constatação da morte.
“A Síndrome de Lázaro tem algumas particularidades. Ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa, pois precisamos analisar os documentos hospitalares e o histórico completo. As investigações vão indicar se o quadro se enquadra nesse diagnóstico médico”, explicou o perito.
Segundo a polícia, todas as pessoas envolvidas no atendimento do parto – médicos, enfermeiros e técnicos – serão ouvidas nos próximos dias. O inquérito deve ser concluído em até 30 dias, podendo ser prorrogado.
O Ministério Público do Acre (MPAC) informou que acompanha o caso e que vai adotar todas as medidas cabíveis para garantir o esclarecimento dos fatos e a responsabilização, caso seja comprovada negligência.
A Sesacre, em nota, lamentou profundamente o desfecho e confirmou que a equipe médica responsável pela constatação inicial do óbito foi afastada até o fim das investigações.
“Todos os esforços possíveis foram realizados para garantir o melhor cuidado e suporte durante o período de internação. Devido à prematuridade extrema do bebê, a transferência para outra unidade não chegou a ser cogitada diante do alto risco de agravamento”, informou o órgão.
Com informações de João Cardoso, para a TV Gazeta.


