A proposta do governo federal sobre o fim da obrigatoriedade das aulas práticas serem realizadas apenas por autoescolas, tem divido opiniões entre a categoria e futuros condutores. A ideia é possibilitar que instrutores autônomos ingressem no mercado de trabalho, o que deverá aumentar a concorrência no setor. A proposta é defendida como uma estratégia para reduzir o valor da aula prática e desburocratizar o sistema.
Atualmente o futuro condutor precisa ter, no mínimo, 45 horas de aula teoria e 20 horas de aula prática, para moto ou carro. Esse tempo permanece o mesmo, a diferença é que além dos instrutores que atuam nas autoescolas, outros profissionais também estarão qualificados a ministrar essa etapa do processo, caberá ao aluno decidir com quem prefere aprender.
“Eu sou a favor de ser dentro da autoescola, por conta dos cuidados do instrutor, eles tem o cuidado de não bater, então é mais segurança tanto para o aluno quanto para os professores dele”, é o que diz a estudante Aline Costa.
“É melhor fazer autoescola, a gente se sente mais seguro, tem o professor na aula teórica e depois a gente vem para a prática, porque não é fácil tirar”, diz a dona de casa, Katrine Ramos.
Essa possível mudança tem causado polêmica, mas por enquanto nada está decidido. Representantes das autoescolas estão unidos e acreditam que vão conseguir manter todo o processo para a retirada da carteira de habilitação.
De acordo com o presidente do Sindicato das Autoescolas no Acre, Queffren Licurgo, a categoria está tentando negociar com o governo federal há muito tempo, mas por repetidas vezes ficou sem resposta. Eles se posicionam de forma contrária à medida, apresentando argumentos de que a proposta, se aprovada, poderá colocar em risco a segurança do instrutor, do aluno e de todas as outras pessoas que circulam pelas ruas.
“O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, nos garantiu que esse processo seria votado para a criação da comissão especial. Essa comissão vai tratar dos serviços do centro de formação de condutores, da formação, da educação para o trânsito, porque o nosso maior foco é a educação”, explica.
Quanto ao alto custo para a emissão do documento, o presidente do Sindicato explica que as autoescolas precisam atender uma série de exigências, o que acaba refletindo no valor final do serviço prestado.
“É muito fácil jogar a culpa para cima das autoescolas, mas nós somos vítimas do processo. O sistema nos exige uma estrutura grande, e com estrutura grande a gente não consegue baratear o preço”, disse.
Com informações da repórter Débora Ribeiro, para TV Gazeta



