A BR-317, conhecida como estrada do Pacífico, continua sendo um dos maiores gargalos logísticos do Acre. Mesmo após a inauguração do megaporto de Chancay, no Peru, financiado pelo governo chinês e considerado um marco para o comércio entre a América do Sul e a Ásia, o trecho que liga o estado ao país vizinho está tomado por buracos, falta de sinalização e risco de acidentes.
O porto peruano promete reduzir o tempo de transporte marítimo entre os dois continentes, mas, para que o Acre aproveite o potencial econômico do projeto, é preciso garantir infraestrutura adequada do lado brasileiro. A realidade, no entanto, é outra.
A partir de Brasiléia, a 100 quilômetros da cidade peruana de Iñapari, a viagem se torna um desafio. Trechos esburacados obrigam motoristas a dirigir em zigue-zague para escapar das crateras. Em alguns pontos, o acostamento virou pista.
“O amortecedor, a pastilha de freio, é complicado aqui. Eu vi que tem buraco que já foi consertado e está voltando novamente. Tapa um buraco hoje e amanhã já está abrindo de novo. É impressionante”, relatou o comerciante Francisco Matias, que trafega com frequência pela rodovia.
De acordo com os motoristas, a ausência de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal também contribui para a sensação de abandono. Muitos motociclistas trafegam sem capacete.
Em trechos mais críticos, os buracos tomam conta de toda a pista, obrigando os condutores a reduzir drasticamente a velocidade. Quando chove, as crateras se transformam em poças enganosas, que escondem riscos ainda maiores.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) mantém equipes realizando serviços de tapa-buracos, mas o trabalho é feito de forma pontual, sem resolver o problema de forma duradoura.
“O problema não é apenas orçamento. Falta atrair empresas que queiram investir na manutenção e garantir qualidade. A dificuldade está em contratar, executar e manter o padrão”, afirmou José Adriano, presidente da Federação das Indústrias do Acre (FIEAC).
Empresários que exportam para o Peru relatam aumento no custo do frete devido ao maior tempo de viagem e desgaste dos veículos. Muitos já desistiram de transportar mercadorias pelo corredor interoceânico.
Nos 30 quilômetros que antecedem Assis Brasil, a situação é ainda pior. O asfalto se perdeu em vários trechos, transformando a pista em uma sequência de trincas e crateras profundas. Em alguns pontos, o solo está cedendo, o que coloca em risco o tráfego de caminhões e pode fechar a estrada a qualquer momento.
Com o Acre posicionado como possível corredor logístico para exportações ao Pacífico, a recuperação da BR-317 é vista como essencial para o desenvolvimento regional.
Com informações de Adailson Oliveira, para a TV Gazeta



