O problema no abastecimento de água voltou a atingir moradores de diferentes bairros de Rio Branco nos últimos dias. Em entrevista ao Gazeta em manchete, o presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira, explicou que a causa principal é a elevada turbidez do Rio Acre e a grande quantidade de balseiros (troncos e galhos) descendo pela correnteza, o que tem danificado equipamentos e reduzido drasticamente a capacidade de tratamento da água.
Segundo Pereira, equipes têm trabalhado dia e noite para manter o sistema funcionando, mas a situação foge ao controle técnico quando a água chega extremamente suja. “Mais uma vez, ainda é a turbidez da água”, disse ele. “A gente teve, de sexta-feira até agora, a maior turbidez desde 2022: chegou a 3.850. Para você ter ideia, nossa ETA não trata acima de 800. Hoje está 2.450, três vezes mais do que a capacidade máxima.”
Balseiros entopem equipamentos e obrigam paradas frequentes
Além da turbidez recorde, o presidente do Saerb relatou que o grande volume de galhadas tem forçado a interrupção constante das bombas.
“Os balseiros danificam o nosso equipamento. Ou a gente desliga, ou ele quebra”, explicou. “O nosso crivo, que funciona como peneira antes da água entrar na bomba, vai entupindo com os galhos. Quando entope, a vazão baixa e precisamos parar tudo para limpar.”
Pereira afirmou que Defesa Civil e Corpo de Bombeiros têm ajudado a retirar a grande massa de balseiros que se acumula próximo ao flutuante.
Redução do tratamento afeta principalmente bairros afastados
De acordo com ele, a Estação de Tratamento de Água (ETA 2), que tem capacidade para processar mil litros por segundo, chegou a tratar apenas 370 devido à situação. Com isso, as regiões mais distantes dos reservatórios são as primeiras a sentir a falta d’água.
“A gente joga seis horas de água por dia em alguns locais. Mas com a redução, diminui para cinco, e alguns cantos ficam comprometidos”, explicou.
Entre os bairros mais afetados estão Mocinha, João Eduardo, Tucumã e Rui Lino.
O presidente reforçou que parte da dificuldade também está relacionada ao desperdício por parte dos usuários.
“Não dá para pressurizar a rede se todo mundo estiver desperdiçando. Pedimos que a população nos ajude para que a água chegue a todos.”
Apesar do esforço técnico, Pereira afirma que a solução definitiva depende do comportamento do Rio Acre.
“Estamos dependendo realmente da natureza. É preciso que a turbidez baixe para voltarmos à normalidade”, concluiu.
Com informações de Luan Rodrigo, para a TV Gazeta.



