O abrigo mantido pela Prefeitura de Rio Branco acolheu, ao longo do ano passado, 513 imigrantes venezuelanos. No entanto, o número de pessoas que deixam a Venezuela e utilizam o Acre como rota de entrada no Brasil é significativamente maior. Grande parte segue viagem para estados do Sul e Sudeste em busca de oportunidades de trabalho, sem permanecer na capital acreana.
Nesta segunda-feira, o abrigo operava no limite da capacidade. Ao todo, 64 imigrantes estavam acolhidos no local, sendo 54 venezuelanos. De acordo com a gestão municipal, quem passa pela unidade pode permanecer por até 30 dias, período em que aguarda apoio para conseguir passagens e seguir para outros estados.
Muitos dos venezuelanos chegam ao Brasil sem documentação. Ao cruzar a fronteira, o primeiro procedimento é solicitar o pedido de refúgio. Já em Rio Branco, os imigrantes recebem apoio para regularização documental, incluindo carteira de trabalho. Aqueles que têm familiares no país também conseguem acesso a programas sociais, como o Bolsa Família.
Entre os acolhidos está Eliezer Bolívar, cantor venezuelano que relata ter deixado o país diante da dificuldade extrema de sobrevivência. Segundo ele, a fome e a falta de perspectivas o levaram a buscar refúgio no Brasil. Eliezer faz parte de um grupo que comemorou a prisão do ditador Nicolás Maduro, a quem atribui a instalação de um clima de medo e instabilidade na Venezuela.
Por enquanto, Eliezer afirma que pretende permanecer no Brasil, mas não descarta o retorno ao seu país de origem.
“Espero que a situação econômica, política e social melhore para que eu possa voltar”, disse.
Outro imigrante, Nauam Solez, está há três meses no Brasil e tem como destino o estado de Santa Catarina. Ele acredita que a prisão de Maduro pode representar uma possibilidade de paz para a Venezuela. Nauam contou que o governo venezuelano oferece uma ajuda temporária às famílias mais pobres, com repasses que duram até quatro meses, enquanto uma pequena elite continua concentrando renda e privilégios.
Diante do cenário político instável na Venezuela, a Prefeitura de Rio Branco demonstra preocupação com um possível aumento do fluxo migratório. A avaliação é de que os municípios que recebem os imigrantes pela fronteira, como Assis Brasil, Epitaciolândia e a própria capital, não teriam estrutura para suportar uma nova onda migratória.
“Há uma apreensão com tudo o que está acontecendo na Venezuela, de que possamos ter uma nova crise migratória aqui em Rio Branco. Mas também existe a esperança de que as coisas melhorem naquele país e que nossos irmãos, que estão aqui enfrentando tantas dificuldades, possam retornar e serem felizes”, afirmou o secretário municipal de Assistência Social, João Marcos Luz.
A Secretaria de Assistência Social da capital cobra do governo federal a instalação de um ponto fixo de recepção de imigrantes na região de Assis Brasil. A proposta é que todas as pessoas que entrem no país pela fronteira sejam cadastradas, o que permitiria mapear com mais precisão o fluxo migratório e o perfil de quem chega ao Brasil.
A preocupação também se estende aos possíveis desdobramentos políticos na Venezuela. Segundo a secretaria, dependendo das medidas adotadas no país, apoiadores do governo Maduro podem migrar para outros territórios.
Com informações do repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



