O Sanda acreano vive um momento histórico. Os atletas Kennedy Ferreira e Luciano Lukas foram oficialmente convocados para o 1º treino e seletiva da Seleção Brasileira de Sanda (Boxe Chinês), que acontece nos dias 7 e 8 de março, em Campinas (SP). A convocação coloca o Acre, mais uma vez, em evidência no cenário nacional das artes marciais.
A chamada reúne apenas atletas mais bem ranqueados do país e define quem seguirá representando o Brasil em competições internacionais. Ter dois nomes acreanos entre os selecionados reforça a consolidação do trabalho desenvolvido no estado e o fortalecimento da modalidade.
Destaque nacional e reconhecimento do trabalho local
Para a Federação Acreana de Kung Fu Wushu, a convocação é motivo de celebração. Segundo a entidade, o feito simboliza anos de dedicação de atletas, técnicos e dirigentes que acreditam no potencial do Sanda no Acre.
O mestre Adgeferson “Pitbull”, uma das principais referências da modalidade no estado e ex-integrante da Seleção Brasileira, destaca que o impacto vai além das medalhas.
“A gente acaba sendo espelho para outros jovens, principalmente da periferia. Eu vim de baixo e consegui chegar à Seleção Brasileira. Se eu consegui, eles também podem conseguir”, afirma.
Campeão brasileiro sete vezes e com títulos pan-americanos, sul-americanos e mundiais, o mestre ressalta ainda o papel do esporte como ferramenta de inclusão social e transformação de vidas.
Superação e sonho de ir além
Vice-campeão brasileiro, Luciano Lukas recebeu a convocação com surpresa e emoção. Após enfrentar dificuldades financeiras e até um golpe que o impediu de competir no Brasileiro de 2025, o atleta vê a seletiva como uma oportunidade única.

“Eu realmente não esperava essa convocação. Encaro como uma surpresa muito boa e uma grande oportunidade. Agora é dar o meu máximo e aproveitar esse momento”, diz.
Morador do bairro Belo Jardim, Luciano começou no esporte ainda na adolescência e encontrou no Sanda não apenas uma modalidade competitiva, mas um caminho de crescimento pessoal.
“O esporte transforma vidas. O Sanda promove inclusão social, ajuda a tirar jovens da obesidade, das drogas e de caminhos errados. Ele ensina disciplina, resiliência e maturidade”, destaca.
Caminho difícil e apoio decisivo
A preparação para a seletiva exige uma rotina intensa. Luciano concilia trabalho, estudos e treinos, além de buscar alternativas para custear viagens e alimentação. Rifas, ajuda da família e apoios pontuais têm sido fundamentais para manter o sonho vivo.
Para o mestre Adgeferson, o maior desafio agora é garantir as condições para que os atletas estejam presentes em Campinas.
“Se eles não forem para esse treino, acabam sendo cortados. Por isso, é fundamental o apoio do poder público e de parceiros para que o Acre continue sendo representado no cenário internacional”, ressalta.
Olhos no futuro
Além da seletiva, a expectativa gira em torno do Mundial Júnior, que será disputado ainda este ano. Luciano não esconde a ambição.

“É um sonho conhecer outro país e lutar com os melhores do mundo. Quero disputar o Mundial Júnior e quero ganhar.”
Com atletas no topo do ranking nacional, uma base em crescimento e um trabalho reconhecido, o Sanda acreano segue firme rumo a novos desafios. Para a Federação, técnicos e atletas, a mensagem é clara: o Acre segue forte, competitivo e cada vez mais presente no cenário nacional e internacional do boxe chinês.



