Mesmo após a última ação realizada no fim de semana, a investigação que apura desvios de medicamentos e insumos hospitalares da rede pública de saúde de Rio Branco segue avançando e pode resultar em novas fases ainda nesta semana. O alerta foi feito pelo delegado responsável pelo caso, ao destacar a gravidade do esquema e a necessidade de cautela nas apurações.
“Com certeza deverá haver outras ações, porque é um caso grave. O trabalho está sendo feito com muita atenção e zelo, para que a gente não exponha pessoas que não têm nada a ver com isso”, afirmou o delegado.
No sábado (10), a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de busca e apreensão, na terceira etapa da operação. Os agentes foram até uma residência no bairro Chico Mendes, onde mora uma pessoa que presta serviço para a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). No local, foi apreendida uma caminhonete que estaria sendo utilizada no transporte de medicamentos e insumos desviados dos almoxarifados de unidades de saúde da capital.
O nome do investigado não foi divulgado, mas o telefone celular foi apreendido, com o objetivo de localizar novas provas e identificar outros possíveis envolvidos no esquema. Segundo a investigação, quando a polícia esteve no imóvel na segunda-feira (5), os agentes já tinham informações de que, dois dias antes, uma caminhonete branca havia parado em frente à casa e descarregado diversas caixas contendo medicamentos e insumos. Faltava, então, identificar o proprietário do veículo, o que ocorreu no fim de semana.
As apurações apontam ainda que uma casa no bairro da Pista, na região da Sobral, funcionava como um depósito clandestino para a revenda do material desviado. No local, Eugênio Gonçalves Neto foi preso em flagrante. À polícia, ele afirmou que vendia os medicamentos de forma individual e que o imóvel, alugado, era usado exclusivamente para armazenar os produtos.
Por apresentar problemas de saúde, Eugênio, que trabalhou por muitos anos em farmácias, obteve autorização judicial para cumprir prisão temporária em casa, com o uso de tornozeleira eletrônica. Três dias após essa decisão, os policiais voltaram ao imóvel e encontraram R$ 20 mil em dinheiro, escondidos debaixo de um colchão, além de mais medicamentos, que também foram apreendidos.
Na segunda fase da operação, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do servidor público Robemar de Souza, apontado como um dos operadores do esquema criminoso.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo pode estar envolvido no desvio de medicamentos, insumos e até equipamentos da Secretaria de Saúde há mais de quatro anos. Ao menos dez servidores da área da Saúde estão na mira das investigações. A estimativa inicial é de que o prejuízo aos cofres públicos possa ultrapassar R$ 4 milhões.
Novas diligências devem ser realizadas ainda nesta semana, e a polícia não descarta o surgimento de mais envolvidos à medida que a análise do material apreendido avança.
Com informações do repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



