Desde a última segunda-feira, motoristas que trafegam pela BR-364, em Rondônia, passaram a pagar pedágio ao longo da rodovia. Ao todo, foram instaladas sete praças de cobrança, o que deve gerar impactos diretos no custo do transporte de cargas com destino ao Acre e, consequentemente, no preço final das mercadorias.
Os valores variam conforme o tipo de veículo. Uma caminhonete que faz o trajeto até o Acre paga R$ 144,80 em pedágios. Já um caminhão de três eixos desembolsa R$ 435, enquanto uma carreta com oito eixos pode chegar a R$ 1.158 apenas em tarifas.
Embora o pedágio tenha como objetivo garantir melhores condições da rodovia em Rondônia e ampliar a arrecadação estadual, o reflexo para o Acre tende a ser negativo. Isso porque o estado não recebe nenhum retorno direto da cobrança, mas arca com o aumento no custo do frete.
Atualmente, um caminhão que sai de São Paulo com destino ao Acre passa por 22 praças de pedágio ao longo do percurso. Somado a isso, o estado enfrenta outros fatores que encarecem a logística, como o combustível mais caro do país e trechos rodoviários em más condições, o que eleva ainda mais os custos de manutenção dos veículos.
Esse valor adicional, segundo o setor produtivo, acaba sendo repassado ao frete e, por consequência, ao consumidor final.
A Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) ainda não apresentou um levantamento detalhado sobre quanto cada produto deve sofrer de reajuste, mas a avaliação é de que o impacto será sentido em breve pela população.
O presidente da entidade, José Adriano, afirma que o Acre acaba sendo prejudicado no atual modelo de concessão.
“A gente se sente prejudicado porque nós estamos em uma posição em que a gente não arrecada nada com esse pedágio que está lá. Enquanto Rondônia recebe os benefícios da infraestrutura, que é, sem dúvida, importante e estratégico para o Estado, para nós também, mas nesse formato a gente paga um custo muito mais alto”, afirmou.
Segundo ele, a Fieac pretende levar o debate ao governo federal a partir de fevereiro, quando os trabalhos em Brasília forem retomados.
“Nós precisamos pensar em como transformar isso num benefício para nós também. A proposta é tratar de um formato em que o governo federal possa subsidiar essa manutenção terceirizada, através de uma concessão subsidiada ou patrocinada, levando até Assis Brasil”, completou.
A ideia defendida pela entidade inclui a extensão do modelo de pedágio até o Acre, seguindo pela BR-317 até a fronteira com o Peru, o que, segundo o setor produtivo, poderia garantir manutenção da rodovia, melhorar o escoamento da produção e gerar arrecadação para o estado.
Com informações de Adailson Oliveira, para a TV Gazeta



