As transportadoras sediadas no Acre devem reajustar entre 8% e 15% o valor dos fretes para fora do estado nos próximos dias. O aumento ocorre após o início da cobrança de sete novos pedágios na BR-364, em Rondônia, o que elevou de forma significativa os custos operacionais do setor.
Desde segunda-feira, as empresas passaram a arcar com as novas tarifas, mesmo sem a entrega imediata das melhorias prometidas no contrato de concessão da rodovia. Um dos principais pontos de insatisfação do setor é que a duplicação da BR-364 não será realizada agora, mas apenas daqui a três anos.
De acordo com o contrato de concessão, válido por 30 anos, apenas 115 quilômetros da rodovia serão duplicados. Outros 570 quilômetros permanecerão em pista simples, mesmo com a cobrança integral dos pedágios ao longo do trecho.
“Estamos pagando por um serviço que ainda não existe”, diz sindicato
A presidente do Sindicato das Transportadoras do Acre, Nazaré Cunha, critica o modelo adotado na concessão e afirma que as empresas estão pagando por melhorias que só devem ser entregues no futuro.
“Nós vamos pagar pela coisa que nós não temos, um produto que nós não recebemos. Tá certo que já tem algumas coisas, por exemplo, já tem ambulância na estrada, já tem tapa-buraco, mas não tem nada pronto”, afirmou.
Segundo ela, apesar do contrato prever melhorias ao longo de três décadas, a cobrança já começou de forma integral.
“A concessão do contrato é de 686 quilômetros, de Porto Velho a Vilhena, porém só vai ser duplicado de 107 a 113 quilômetros. Então não é a estrada toda que vai ser duplicada”, ressaltou.
Nas contas do sindicato, os serviços que ainda serão executados já estão sendo pagos antecipadamente pelas transportadoras, quando, na avaliação do setor, a cobrança só deveria ocorrer após a entrega de uma rodovia mais segura e estruturada.
Pedágios elevam custos
Os valores pagos em pedágio variam conforme o tipo de veículo. Um caminhão leve paga R$ 433,00 para ida e volta na BR-364, considerando os sete pedágios. Uma carreta de cinco eixos desembolsa R$ 740,00, enquanto um veículo de nove eixos chega a pagar R$ 1.303,00.
No caso de um caminhão de sete eixos, o custo chega a R$ 19,00 por quilômetro rodado no trecho entre Porto Velho e Vilhena. Com os novos valores já sendo cobrados, o impacto chega diretamente ao consumidor final.
“Automaticamente é passado. Quando você põe o seu preço no seu produto, quem vai pagar é o consumidor do final. A gente só vai repassando”, explicou Nazaré Cunha.
De acordo com as transportadoras, os custos nas rodovias federais estão cada vez mais elevados, enquanto a margem de lucro das empresas não ultrapassa 5%. Diante desse cenário, muitos empresários avaliam abandonar o setor, considerado hoje financeiramente insustentável.
Com informações do repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta editada pelo site Agazeta.net



