O nível do Rio Acre apresentou leve retração na manhã desta segunda-feira (19), conforme o Boletim da Defesa Civil de Rio Branco. Às 5h19, o manancial marcou 14,52 metros, uma redução de sete centímetros em relação à meia-noite, quando havia atingido 14,59 metros. Mesmo com a baixa, o rio segue acima da cota de transbordo, que é de 14 metros.
Nas últimas 24 horas, o volume de chuva registrado na capital foi de 8,60 milímetros. Já no domingo (18), não houve registro de precipitação, mas o rio manteve tendência de elevação ao longo do dia. Pela manhã, às 5h18, o nível era de 14,53 metros, subindo gradualmente até alcançar 14,59 metros às 21h, com pequena redução para 14,58 metros à meia-noite.
De acordo com o coordenador municipal da Defesa Civil, coronel Cláudio Falcão, a retração é um sinal positivo e não se trata de um “alarme falso”.
“É um bom sinal essa redução, nós estamos em retração. À meia-noite deu 14,59 e agora pela manhã 14,52, sete centímetros de retração. Nós devemos continuar com essa retração”, afirmou.
Apesar do cenário momentaneamente favorável, o coronel alertou para o comportamento do rio nos municípios da região de fronteira. Segundo ele, em Assis Brasil, o nível subiu 2,5 metros entre sábado e domingo, enquanto em Brasileia houve aumento de mais dois metros nas últimas 24 horas.
“Essa água vai chegar aqui, mas quando chegar nós teremos também uma diminuição melhor e talvez ele não volte para uma cota tão alta. A tendência agora é que ele continue em vazante e até mesmo saia da cota de transbordamento”, explicou.
Questionado sobre a previsão para os próximos meses, Falcão destacou que novos transbordamentos não podem ser descartados.
“De 1970 até agora, nós tivemos 45 transbordamentos. Dois foram em dezembro e quatro em janeiro, incluindo o atual. A chance de termos transbordamento em fevereiro e março é muito grande”, alertou.
Mesmo com a redução do nível, a Defesa Civil mantém toda a estrutura de resposta ativa. Atualmente, oito famílias estão abrigadas no Parque de Exposições e outras sete na Escola Leôncio de Carvalho. Durante a madrugada, a operação de retirada foi suspensa por conta do risco e da baixa demanda, mas, segundo o coordenador, as equipes seguem mobilizadas para atender chamados reprimidos.
“Nós não vamos desmobilizar o abrigo. Vamos manter as famílias que já estão lá. Pela manhã, vamos verificar se as famílias que pediram ajuda durante a madrugada ainda têm necessidade de sair”, disse. Ele explicou ainda que o retorno das famílias às residências só será discutido quando o rio atingir a marca de 11 metros ou menos. “Até lá, elas se mantêm sob a nossa guarda, sob os cuidados da Prefeitura de Rio Branco.”
Além das famílias, a Defesa Civil também abriga animais resgatados das áreas alagadas. Entre os acolhidos estão sete famílias indígenas, totalizando 19 pessoas, na Escola Leôncio de Carvalho. No total, 27 bairros urbanos e 15 comunidades rurais foram afetados pela cheia, sendo que cinco chegaram a ficar isoladas. Com a retração do rio, a expectativa é que essas localidades voltem a ter acesso nos próximos dias.



