De acordo com o boletim da Defesa Civil de Rio Branco, o nível do Rio Acre apresentou variação nesta quarta-feira (28). Às 5h21, o rio marcava 12,19 metros, em tendência de vazante. Já às 9h, o nível subiu para 12,27 metros, indicando início de elevação. Nas últimas 24 horas, o volume de chuva registrado na capital foi de 32 milímetros.
Apesar de o rio permanecer abaixo da cota de alerta, que é de 13,50 metros, e da cota de transbordo, fixada em 14 metros, a Defesa Civil chama atenção para a possibilidade de aumento considerável do nível nos próximos dias. Isso ocorre porque as chuvas intensas em outros municípios acreanos e também nas cabeceiras fora do estado influenciam diretamente o comportamento do rio na capital.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Falcão, o Rio Acre recebe água de inúmeros igarapés e afluentes ao longo de toda a sua bacia hidrográfica.
“Nós temos inúmeros igarapés e afluentes que jogam água tudo dentro do Rio Acre ao longo da sua bacia, desde lá do Peru até chegar aqui em Rio Branco, mas vamos citar três afluentes que são muito perigosos para a questão da subida do Rio Acre, que é o rio Xapuri e também o Riozinho do Rola, sendo esse último o mais grave de todos”, explicou.
O coordenador ressaltou que qualquer impacto nas cabeceiras e nos municípios ao longo da bacia reflete diretamente na capital.
“Todo impacto que acontece nessas regiões, tudo chega em Rio Branco. Nós tivemos um aumento muito grande nas cabeceiras e isso totalmente influencia”, acrescentou.
Coronel Falcão destacou ainda que a grande quantidade de rios menores potencializa o volume de água que chega ao Rio Acre.
“Eu não vou precisar agora quantos igarapés e rios menores nós temos ao longo da bacia, mas é mais de uma centena. São muitos rios menores que vão jogando água dentro dos maiores, e os maiores vão jogando dentro do Rio Acre. Esses três que eu citei são os principais, mas não podemos esquecer também do próprio rio”, afirmou.
Sobre os riscos da oscilação constante do nível, o coordenador fez um alerta.
“Os perigos dessa oscilação são inúmeros. Primeiramente, o perigo de transbordamento. Já foram dois transbordamentos em menos de 20 dias”, disse.
Além disso, ele destacou os riscos geológicos e urbanos.
“A partir do momento que tem enchente, vazante, enchente e vazante, isso vai aumentando as erosões e a instabilidade das encostas. Os riscos são muito grandes, sem contar aqui em Rio Branco a parte urbana, que tem mais de 37 igarapés cortando a cidade, o que faz com que a gente tenha um risco constante de enxurradas”, completou.
Na terça-feira (27), o Rio Acre apresentou tendência predominante de vazante ao longo do dia. Às 5h14, o nível era de 12,50 metros, baixando para 12,38 metros às 9h, 12,26 metros ao meio-dia e 12,15 metros às 15h. Às 18h, o rio marcou 12,08 metros, mantendo estabilidade às 21h com 12,07 metros e apresentando leve elevação à meia-noite, quando chegou a 12,08 metros. O volume de chuva registrado foi de 0,60 milímetro em 24 horas.
Já nesta quarta-feira (28), mesmo com o nível inicial mais baixo, a elevação observada ao longo da manhã, somada ao volume expressivo de chuva registrado na capital e em outros municípios da bacia, reforça o alerta da Defesa Civil para monitoramento contínuo do Rio Acre.



