Uma cena que deveria ser exceção virou rotina em diversos bairros de Rio Branco: torneiras secas, caixas d’água vazias e famílias lidando com a incerteza no abastecimento. As falhas e interrupções frequentes no fornecimento de água têm afetado centenas de moradores da capital e levado o poder público a buscar alternativas para minimizar o problema.
Uma das apostas da Prefeitura de Rio Branco é a perfuração de poços semi-artesianos. O centro de reserva localizado no bairro Santo Afonso foi definido, por meio de estudos técnicos, como uma área estratégica para esse tipo de intervenção. As escavações tiveram início neste ano e, até o momento, quatro poços já foram abertos no local.
Na manhã desta quinta-feira (29), o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, esteve no centro de reserva para uma visita técnica e acompanhou de perto a escavação do quinto poço. Segundo o gestor, a medida surge como alternativa diante das dificuldades enfrentadas no tratamento da água do Rio Acre.
“Os estudos mostraram que poço de até 400 metros é possível fazer aqui na região. Então, nós estamos primeiro fazendo esses poços rasos, para depois partir para os poços mais profundos. A saída que nós temos para Rio Branco é essa, porque o rio já mostrou, esse ano e no final do ano passado, que toda vez que ele sobe e baixa é muita areia que fica na água, e aí não dá conta de tratar e ter a quantidade de água que a gente precisa”, afirmou o prefeito.
Também participaram da visita técnica o presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) e o responsável pela empresa encarregada das perfurações. De acordo com Célio Mendes, na região do Santo Afonso é possível alcançar o lençol freático com cerca de 40 metros de profundidade. Como não há pressão natural da água, a extração exige o uso de bombas.
“A água aqui não está só em um local, ela está dividida. Nós temos pelo menos três camadas que contêm água. Os 40 metros foram suficientes para pegar essa primeira camada. Se furasse 50 ou 60 metros, a gente não encontraria mais água. Por isso essa opção, porque a água está nesse intervalo”, explicou.
Em relação ao volume obtido, o presidente do Saerb, Enoque Pereira, avalia que a vazão dos poços deve ser suficiente para complementar o sistema atual de abastecimento. A proposta é perfurar entre 11 e 12 poços e, a partir da vazão esperada, garantir o abastecimento de praticamente toda a Cidade do Povo.
Segundo ele, caso a estratégia apresente bons resultados, será possível redistribuir a água das Estações de Tratamento (ETAs), que atualmente abastecem a Cidade do Povo, para outras regiões da capital.
“Assim que o Estado fizer o reservatório da Cidade do Povo, que está previsto para este ano, vamos também perfurar novos poços lá. Juntando os poços daqui, que também podem ser ampliados, a gente consegue aumentar a capacidade de armazenamento e focar na Cidade do Povo. Com isso, conseguimos atender praticamente 100% do bairro e reduzir a água que vem da ETA para cá”, destacou Enoque Pereira.
A prefeitura segue acompanhando o desempenho dos poços já perfurados. Novas escavações poderão ser realizadas de acordo com a vazão registrada, ampliando a capacidade de armazenamento e buscando reduzir os impactos das constantes falhas no abastecimento de água em Rio Branco.
Com informações da repórter Débora Ribeiro para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



