A manhã desta terça-feira foi marcada por transtornos no Terminal Urbano de Rio Branco, após parte dos motoristas da empresa Ricco Transportes cruzar os braços em protesto contra uma série de pendências trabalhistas. A paralisação, que inicialmente seria de cerca de uma hora, se estendeu por mais tempo e causou impacto direto na rotina de passageiros que dependem do transporte coletivo.
Segundo os próprios trabalhadores, nem todos os motoristas aderiram ao movimento, o que fez com que alguns ônibus continuassem circulando, enquanto outros permaneceram estacionados dentro e ao redor do terminal. Ainda assim, diversas linhas tiveram o funcionamento comprometido, provocando longas esperas e revolta entre os usuários.
Os motoristas relatam que não recebem salários desde janeiro. Além disso, trabalhadores que saíram de férias afirmam não ter recebido nem o valor referente às férias, nem o salário do período anterior, tampouco o adicional previsto por lei. O chamado “sacolão”, benefício ao qual a categoria tem direito, também vinha sendo pago com atraso e só foi liberado após protestos recentes.
Outro problema apontado pelos trabalhadores é a ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com os relatos, a descoberta de que o benefício não estaria sendo recolhido agravou ainda mais a insatisfação da categoria, levando à decisão de paralisar parte das atividades no terminal.
Passageiros enfrentam longas esperas e perdem compromissos
Enquanto os ônibus permaneciam parados, dezenas de passageiros aguardavam sem informações claras sobre a retomada do serviço. Entre eles estavam trabalhadores da área da saúde, como enfermeiras, além de pessoas que precisavam se deslocar para consultas médicas.
Um dos usuários relatou estar esperando há mais de meia hora, sem que nenhum ônibus da sua linha tivesse passado. Outro afirmou que já aguardava desde o meio-dia para seguir em direção ao bairro Mocinha Magalhães e que, diante da demora, corria o risco de perder a consulta médica.
A situação gerou revolta entre os passageiros, que reclamaram da falta de aviso prévio sobre a paralisação e da ausência de fiscalização no terminal. Usuários também criticaram a falta de presença de autoridades municipais e representantes políticos diante do problema, que classificam como antigo e recorrente.
Expectativa por negociação
Até o momento, os motoristas aguardam uma negociação entre a empresa, a RBTrans e os trabalhadores para que um acordo seja firmado e o serviço seja normalizado. Enquanto isso, parte da frota segue parada e a população continua sendo diretamente afetada.
A paralisação reforça as reclamações antigas sobre o transporte coletivo na capital e evidencia a fragilidade do sistema, tanto para quem trabalha quanto para quem depende diariamente do serviço para acessar saúde, trabalho e outros compromissos essenciais.
Com informações de Adailson Oliveira, para a TV Gazeta.



