Mudanças recentes nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) estão gerando debates em todo o país. Uma nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) flexibiliza o processo de formação de condutores e retira a obrigatoriedade de frequentar uma autoescola tradicional para tirar a habilitação.
A medida abre espaço para outras formas de capacitação e tem levado os Centros de Formação de Condutores (CFCs) a buscar novas alternativas para se manterem competitivos no mercado.
No Acre, o impacto é notado pelas empresas do setor. Segundo o presidente do Sindicato das Autoescolas do estado, Queffrem Rêgo, a mudança traz consequências diretas para os profissionais e para a estrutura das empresas.
“Essa resolução caiu pesado no setor. No Brasil são mais de 15 mil empresas e cerca de 2.500 já fecharam. Ontem tivemos a instalação de uma comissão especial na Câmara dos Deputados que vai tratar exatamente sobre a formação de condutores no Brasil, onde esperamos reverter algumas situações”, afirmou.

Ele também destacou que o sindicato tem apresentado propostas ao governo federal, incluindo medidas voltadas à educação no trânsito.
“Nós enviamos várias propostas e oferecemos até curso teórico gratuito para pessoas de baixa renda. Estamos atuando como educadores de trânsito e não apenas como empresários do setor”, disse.
Adaptação das autoescolas
Diante do novo cenário, muitas autoescolas têm buscado se adaptar, principalmente por meio de promoções e novas estratégias.
Segundo o presidente do sindicato, uma das primeiras medidas adotadas pelas empresas foi a redução de funcionários.
“A primeira coisa que a gente fez foi reduzir pessoal. A resolução acabou com as funções de diretor geral e diretor de ensino, o que desempregou pelo menos duas pessoas em cada autoescola”, explicou.
No Acre existem cerca de 55 autoescolas. Com o fim dessas funções, aproximadamente 110 profissionais deixaram de atuar diretamente no setor. Além disso, os estabelecimentos passaram a oferecer pacotes mais flexíveis de aulas práticas.
“Hoje temos pacotes de duas, quatro ou até 20 aulas, dependendo do que a pessoa quiser. Mas é preciso reconhecer que ninguém aprende a dirigir com duas aulas. Não dá tempo nem do instrutor mostrar os percursos usados nas provas do Detran”, afirmou.
Qualidade da formação preocupa o setor
Apesar das mudanças no mercado, o sindicato destaca que a qualidade da formação dos novos condutores deve continuar sendo prioridade.
Para Queffrem Rêgo, um dos desafios está na atuação de instrutores autônomos que não possuem estrutura adequada.
“A nossa vantagem é que existe um lugar para reclamar, existe acompanhamento. Com instrutor autônomo muitas vezes não há isso. Já tivemos casos de pessoas dando aulas sem credenciamento do Detran e sem local adequado para treinamento”, disse.
Ele relata ainda situações em que instrutores utilizam estruturas privadas sem autorização.
“Essa semana mesmo um instrutor autônomo invadiu a minha pista de moto para dar aula para um aluno. A pista é minha, eu pago e mantenho. Muitas vezes eles não têm estrutura, enquanto as autoescolas oferecem estrutura e suporte aos alunos”, concluiu.
Com informações do repórter Marilson Maia e editado pelo site Agazeta.net.



