Dando seguimento a série Conexão Errantz, hoje apresentaremos um artista da fronteira, Luciano Abahra. Natural de Boa Vista, Roraima, o artista virou acreano de coração há mais de quinze anos, onde nessa terra resolveu fincar suas raízes e deixou florescer sua arte que vem ganhando o mundo. “Comecei a rabiscar desde piá”, conta Luciano, “e essa paixão só cresceu com o tempo, misturando desenho, música e a vibe das ruas”.
Chegando no Acre, o hip hop bateu forte, onde através das melodias das músicas e das letras rimadas conquistou título aqui e ali. Foi em meio a esse banho cultural que o graffiti entrou na jogada como uma forma potente de expressar de forma visual as identidades locais, além de possibilitar a trocar ideias com outros artistas de Brasiléia e países vizinhos.
Luciano é alguém que faz acontecer sozinho, mas também trabalha em grupo. É fundador do “Homies Crew”, um coletivo internacional que integra artistas do Brasil e da Bolívia. E não para por aí: ele integra o Coletivo Mocambo de Hip Hop, que atua no estado do Acre há muitos anos fortalecendo a cultura hip hop e todas as suas formas.
No graffiti, Luciano manda ver nas técnicas tradicionais, utilizando latas de baixa pressão e “caps” modificados com agulha para maior precisão. Mas o toque especial é o “Tap-Tap”, criada por ele mesmo: “”É tipo um truque com a lata de spray de cabeça pra baixo”, explica, “que permite criar imagens com micro pigmentações, dando textura, profundidade e uma vida danada pro desenho”.
“Minha formação é predominantemente autodidata” dispara “desenvolvi minhas habilidades por meio da prática constante, pesquisa e vivência artística. Também atuo como musicista, com ampla afinidade com sons, timbres, ritmos e composições, o que influencia diretamente meu trabalho visual.
Entre tantos trabalhos, o artista relembra de alguns com muito afeto: “Entre os projetos mais marcantes estão ‘Bora Colorir a Fronteira’,‘Batalha de Epitaciolandia’ e ‘Graffiti na Fronteira’, realizados com apoio de políticas públicas de fomento cultural, como a Lei Aldir Blanc, PNAB e Funcultura. Esses projetos foram importantes por me permitirem atuar como arte-educador, ministrando oficinas e ampliando o acesso à arte urbana”.
Para o ano de 2026, o artista aponta seus grandes objetivos: “minha meta para 2026 é ampliar o reconhecimento do meu trabalho, aprovar novos projetos culturais e alcançar comunidades e territórios de difícil acesso. Busco transformar espaços abandonados por meio da arte, ressignificando paisagens urbanas e garantindo que mais pessoas tenham a oportunidade de se expressar artisticamente. Acredito que a cultura é vivência, história e transformação social. Para saber mais sobre o artista:


Luciano Abahra – Licenciando em História pela Universidade Federal do Acre (Ufac). Graffiteiro e MC. Criador do coletivo Homies Crew, um movimento que fortalece a cena cultural da fronteira por meio da arte, da união e da resistência. Também é idealizador de projetos de grande impacto regional, como “Bora Colorir a Fronteira” e “Graffiti na Fronteira”, iniciativas que transformam espaços urbanos em galerias a céu aberto e aproximam a comunidade da arte.

Jardel Silva França – Mestre em Letras: Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (PPGLI/ Ufac). Licenciado em História (Ufac). Professor de História da Educação Básica do Estado do Acre. Professor temporário da área de História da Universidade Federal do Acre (Ufac). Filiado à Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e Negras (ABPN). Membro do Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal do Acre (Neabi/Ufac).



