Em entrevista ao Gazeta Entrevista, João Paulo Bittar (PL), filho do senador Márcio Bittar (PL), voltou a criticar o Código Florestal Brasileiro e defendeu o que classificou como um “meio termo” entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico no Acre.
Ao comentar a legislação ambiental, João Paulo afirmou que o modelo atual impõe restrições que, segundo ele, acabam prejudicando populações que vivem em áreas isoladas do estado.
“O que a gente defende de forma objetiva é um meio termo. Esse radicalismo em proteger tem que servir, em primeiro lugar, para proteger a vida das pessoas que estão lá”, afirmou.
Durante a entrevista, ele citou a situação de moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes e de municípios acreanos sem ligação terrestre, argumentando que a falta de infraestrutura compromete o acesso a serviços básicos e até atendimentos de saúde.
“Hoje a gente ainda tem município isolado do ar. Nós temos quatro municípios isolados. Não tem uma estrada para Jordão, não tem uma estrada para Santa Rosa. Se a gente não preservar vidas, a gente vai preservar o quê? Vida tem que ser o principal a ser preservada”, declarou.
João Paulo ressaltou que não é favorável ao desmatamento indiscriminado e reconheceu a necessidade de proteção de áreas ambientalmente sensíveis, como matas ciliares, margens de rios e áreas de relevo.
“Ninguém aqui é a favor de devastar a floresta. Existem regiões que têm que ser preservadas. Mata ciliar, margem de rio, áreas de proteção. Isso é indiscutível”, disse.
No entanto, ele criticou o que chamou de excesso de restrições em áreas onde, na visão dele, seria possível conciliar produção e preservação.
“O Acre ainda é muito preservado em áreas que não teriam necessidade de ser preservadas. Outras, sim, podem ser preservadas 100% sem problema”, argumentou.
João Paulo também relacionou o debate ambiental à realidade econômica de famílias que dependem da terra para sobreviver, afirmando que o Estado precisa considerar a subsistência dessas populações.
“O cara que derruba uma árvore para alimentar a família dele não é bandido. Ele está tentando viver, tentando prosperar”, afirmou.
A declaração reforça o posicionamento político da família Bittar em relação à legislação ambiental e ao debate sobre desenvolvimento na Amazônia, tema que volta ao centro das discussões no Acre diante de pautas ligadas à infraestrutura, produção rural e preservação ambiental.
Durante a entrevista, João Paulo também confirmou que o deputado federal Nikolas Ferreira deve visitar o Acre nos próximos dias, em agenda articulada pelo senador Márcio Bittar.



