A partir de agora, Governo do Acre é oposição
O governador Tião Viana fazia questão de fazer ele mesmo a interlocução política junto aos ministérios em Brasília. Enfraqueceu, dessa forma, a figura dos secretários de Estado. Com forte capital político ainda da época do Senado, Viana até propagandeava a intimidade com que transitava nos corredores ministeriais.
E era fato. Em apenas um dia, eram comuns quatro ou cinco audiências diretamente com os ministros das pastas. É preciso reconhecer que não é uma performance qualquer. Com a nova conformação política, essa interlocução será outra.
Muito identificado com Lula, Tião Viana perdeu boa parte da capacidade de diálogo com o atual presidente Temes e, por isso, deve repassar a responsabilidade dessa articulação para a vice-governadora Nazareth Lambert.
O novo cenário político empurrou naturalmente o Governo do Acre à oposição. O tom e o conteúdo da defesa do Governo feita pelo senador Jorge Viana (PT/AC) sugerem até algum radicalismo na forma de fazer oposição. Quais as consequências dessa postura para a gestão pública no Acre ninguém sabe ao certo.
O que é evidente é que para o agora presidente Temer, Acre e Nova Zelândia estão bem perto um do outro. Ele faz parte de uma geração de políticos que não entendem e nem demonstram o mínimo esforço em entender a Amazônia.
Daí, a importância de uma interlocução com o mínimo de eficiência junto ao presidente da República. Em 180 dias, o presidente Temer vai ter que aplicar medidas eficazes na área econômica. A escolha de Henrique Meirelles para a Fazenda é um indicativo cristalino de que haverá solidez na política fiscal. em que tom isso se harmoniza com a preservação de conquistas na área social é a arte que o Governo terá que demonstrar.
Se a política econômica priorizar, nesses seis meses, a geração de empregos, Temer já pavimenta um bom cenário para outubro de 2018.



