“Não haverá grandes mudanças”, diz sociólogo
Por 55 votos a favor e 22 contra, o Senado acatou o pedido de impeachment. Dilma Rousseff deixa a presidência um ano e quatro meses depois de assumir o segundo mandato.
Ainda nesta quinta-feira Michel Temer falou pela primeira vez como presidente em exercício e empossou ministros.
O dia histórico marca o início dos 180 dias que Dilma deve permanecer afastada e que o país tem um novo representante.
Para o cientista político Nilson Euclides, a população não deve esperar grandes mudanças. Houve uma substituição, mas o governo é o mesmo.
“Do ponto de vista político ele foi eleito junto com Dilma. Se apresenta como
governo novo, o que é uma falácia, na verdade Michel Temer não tem nada de novo é um vice presidente de um partido que vem acompanhando os programas do governo, dando apoio à base de sustentação do governo durante todos esses anos”, opina.
Dilma Rousseff é a segunda presidente brasileira afastada após decisão do Senado. O primeiro afastado eleito pelo voto direto, foi Fernando Collor, em 1992. Euclides argumenta que o país passa por um enfraquecimento da democracia.
“Nenhum processo de impeachment é bom pra democracia. Nenhuma democracia consolidada utiliza o impeachment como instrumento de troca de governo”, afirma.
Nas ruas, a população acreana tem opinião formada sobre o assunto.
Para os mototaxistas Davi Rodrigues, Valdemar Oliveira e Jonas Lemos, não devem acontecer muitas mudanças a partir de agora. Para eles, o processo de impeachment não altera o contexto de crise política e econômica. “Eu acho que vai mudar só daqui uns tempos”, afirma Davi.
“O buraco tá feito, o rombo tá feito. Ela saindo não vai mudar quase nada”, opina Valdemar.
“Piorar mais do que tá não tem como. Tem que melhorar, é o que a gente espera”, disse Jonas.
O ambulante Divalmir Goes também não está otimista quanto ao futuro do país. “O Temer é da mesma panela”, explica.
Para a assistente administrativa Risalva Santos, o país não pode mais ficar no impasse da liderança. “O que o Brasil tá precisando é de liderança séria e compromissada”, afirma.
O violinista Alex Pedreira deu uma pausa no trabalho para deixar sua opinião. “O povo quer um Brasil melhor”, disse.
Enquanto isso, o músico profissional, que batalha pelas gorjetas no dia a dia, continua com sua arte. É melhor não cruzar os braços pra ver o que vai acontecer.



