MPF e Ibama fiscalizam na divisa do AC e AM
Novas denúncias apontam que continua com toda a intensidade a retirada de madeira na terra indígena Kaxarari, na divisa do Acre com o Amazonas. O Ministério Público Federal está investigando o caso, onde índios da etnia são acusados de negociarem a madeira e permitirem o livre acesso dos madeireiros. Por dia, 30 caminhões estão saindo da reserva com madeira em toras ou beneficiada.
Fotografias de uma fiscalização realizada em setembro do ano passado pela Funai e Ibama mostram como floresta está sendo devastada. Por todos os lados se encontram madeiras serradas. A reserva de 150 mil hectares está sendo destruída pelos madeireiros. Caminhões carregados são flagrados todos os dias nos ramais da terra indígena.
Os caciques das nove aldeias que formam a Terra Indígena Kaxarari estão sendo acusados de facilitar esse comércio criminoso. Uma das fotos mostra o portão de uma cerca onde são cobrados R$ 100 por cada carga que passa. Os tratores entram livremente para ajudar e abrir ramais e derrubar as árvores.
Durante as buscas aos madeireiros, o Exército (que ajudava na fiscalização) encontrou alguns acampamentos e madeiras já beneficiadas. Caminhões e uma moto dos criminosos foram incendiados pelos soldados.
No ano passado o Sipam, o sistema de proteção da Amazônia, identificou 80 focos de desmatamento na Terra Indígena Kaxarari, que fica próxima às vilas de Extrema e Califórnia, no Estado de Rondônia, locais conhecidos pela extração ilegal de madeira.
A Funai, em Rio Branco, disse que conhece o problema e levou a denúncia ao Ministério Público Federal do Amazonas. Segundo o coordenador substituto da Funai, Wagner Gallo, o caso não é novo: há quatro anos, a madeira é retirada da reserva com a ajuda dos indígenas, mas as condições do local e a falta de fiscalização frequente ajudam a manter a retirada ilegal de madeira.
“É preocupante o que acontece nessa área. Os índios estão ajudando a destruir uma riqueza que é deles. Sempre vamos até o local, mas está impossível parar a venda de madeira”, alegou. O Ministério Público do Amazonas já identificou nomes de indígenas que vivem em negociatas com madeireiros, inclusive, na denúncia, fala de uma “ajuda de custo” para fiscais do Ibama fecharem os olhos e não fiscalizarem.
Nessa época do ano, sem as chuvas, os caminhões encontram facilidades para entrar na área. O Ibama do Amazonas prepara uma incursão na região na próxima semana para mais uma fiscalização.
































