Série de ações tenta mostrar prejuízo ao consumidor
O Sindicato dos Funcionários da Eletroacre vai começar uma série de ações para chamar a atenção da população quanto ao prejuízo à sociedade se a estatal for privatizada. Na ordem das prioridades, os sindicalistas querem mostrar que dois programas sociais do Governo Federal vão acabar.
O primeiro será o de tarifa social, na qual 40 mil famílias carentes pagam uma taxa mínimia pelo consumo da energia. Outro projeto que pode desaparecer é o Luz para Todos. De 2004 a junho de 2016, a energia chegou para 42.265 propriedades rurais, mudando a vida dessas famílias.
Para o diretor do Sindicato dos Urbanitários, Edinho Monteiro, esses programas são caros e não geram lucro para a Eletroacre. Ao contrário. “Dependendo do ramal não dá para enviar equipes que vão medir o consumo e fazer a cobrança. Hoje esse programa é mantido pelo Governo. A iniciativa privada jamais vai aceitar esse ônus”, declarou.
Quando não se prorrogou o contrato de concessões, a Eletrobras deixou de gerenciar as empresas distribuidoras de energia. Com isso, a velha Eletroacre está de volta, aliás, juridicamente, nunca deixou de existir.
Essas mudanças contratuais fazem parte do processo preparatório para a venda que deve ocorrer até dezembro de 2017. O Governo Federal pretende vender as sete empresas que pertenciam ao grupo Eletrobras.
Os números apontam que as estatais estão com as contas no vermelho, dão prejuízo aos cofres públicos. Para levantá-las seriam necessários R$ 7 bilhões.
O Sindicato dos Urbanitários acredita que a primeira ação dos novos donos será demissão em massa dos trabalhadores. A Eletroacre ainda mantém em seus quadros 251 funcionários, sendo que a maior parte dos serviços é feita por mão de obra terceirizada.
Outro ponto que será bastante lembrado pelos sindicalistas é o que mais assusta o consumidor: reajuste de tarifa. Os trabalhadores acreditam que para conseguir ter lucro, uma das alternativas é elevar os preços e reduzir os investimentos.
O Linhão é um exemplo. Atualmente, pela BR-364, ele só chega até Sena Madureira. Nos municípios das regiões do Envira e Juruá a energia ainda é produzida em motores. O projeto era chegar a Mâncio Lima, a última cidade pela rodovia. “Esses motores elevam o valor da energia. Só de óleo diesel são nove milhões de reais por ano”, revelou.
A direção da Eletrobras no Acre não fala sobre o assunto. A única informação vem da assessoria de imprensa em Brasília, na qual o novo presidente, Wilson Ferreira Júnior, declarou que a venda será beneficiada para todos.



