Senador avalia impeachment, campanha e PT
Mesmo com a voz rouca, Jorge Viana conversou bastante com a imprensa local. O bate papo sobre diversos temas abrangeu campanhas municipais, impeachment e realidade do Partido dos Trabalhadores (PT).
Durante a coletiva de imprensa, o presidente em exercício do Congresso Nacional criticou a aprovação da lei que flexibiliza as regras para a abertura de créditos suplementares.
A prática ficou conhecida como uma das “pedaladas fiscais”, que embasaram o processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Segundo o texto, a medida pelo governo, pode acontecer sem a necessidade de autorização do Congresso Nacional.
Jorge Viana afirmou ainda que a crise política continua, mesmo com o fim do processo que retirou Dilma do poder.
“A crise política não será resolvida com o impeachment, que pra nós não ficou caracterizado crime de responsabilidade. É golpe. Isso afeta a democracia e mantém o Brasil fragilizado. Obviamente isso afeta a economia porque empresário não vai fazer investimento se tem uma crise política desse tamanho. Quem paga a conta é a população, o desemprego aumenta, falta de investimento público, queda na arrecadação. Eu não quero seguir sendo parte dos problemas. Todos nós precisamos pensar numa maneira em como ajudar”, disse.
Com todos os eventos no campo político e das investigações da Lava Jato, o PT ficou fragilizado. Em Rio Branco, o partido afastou o vermelho e adotou a cor laranja, por exemplo.
Segundo o senador, foi preciso “descontaminar” a campanha local, da repercussão dos acontecimentos nacionais que dividiram o país. “Não se trata de negar o PT. O Marcus nunca negou. É que nós só não vamos aceitar nacionalizar, trazer o debate nacional pra cá, pra disputa municipal”, explicou.
A crise que afetou o PT, segundo Jorge Viana, exige um novo caminho à sigla. Ele defende uma profunda reestruturação no partido que vise resgatar a ideologia política.
“Eu acho que o PT tem a obrigação e eu vou trabalhar por isso, porque já fez uma coisa muito bonita, um trabalho com Lula e com Dilma e também na política do Brasil de se reencontrar consigo mesmo de dar passos pra trás, que no fundo não é andar pra trás é seguir andando pra frente. Nós temos que trazer de volta a palavra ética, honestidade pra política, porque elas foram deixadas de lado”, constata.
Jorge Viana permanece como presidente em exercício do Congresso e Senado, até o retorno de Renan Calheiros que viajou para a China com o presidente Michel Temer.



