Cimi aponta descaso com comunidade indígena
O relatório do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) aponta que no Acre a falta de regularização de terras dos povos indígenas vem criando conflitos e aumentando a violência nas aldeias. Aliado a isso, vem o descaso na área de Saúde e de outros programas sociais.
Os dados mostram que desde 2003 o Governo Federal não faz demarcação de terras no Acre. No relatório, estão apontadas as 17 áreas para regularização. Desse montante, nove precisam ser identificadas ou se fazer estudos para demarcação. A terra Kaxinawa Curralinho em Feijó, por exemplo, virou palco de disputas entre índios, posseiros e madeireiros.
Em outras três áreas, foram identificados grupos indígenas vivendo em região de conflito. Inclusive, duas são de índios isolados, e, até agora, nenhuma providência foi tomada.
Para o CIMI, a omissão do poder público faz com que as etnias se sintam inseguras em suas terras e abra espaço para invasores que levam doenças e violência paras as aldeias. O missionário Lindomar Padilha, explicou que todos os anos o CIMI leva os dados ao Governo Federal numa tentativa de reduzir o descontentamento e os conflitos agrários.
“Mas o que se vê é uma politica perversa, onde a cada ano que se passa menos áreas são demarcadas como se a resolução desses problemas não fosse essencial para milhares de famílias que dependem da terra”, relatou.
O relatório do CIMI trás ainda informações sobre atos de violência contra indígenas em todo pais. No Acre existem casos de ameaças, abuso de poder e assassinatos.
Em março do ano passado, o índio Carlos Alberto Kaxinawa, que era professor na sua aldeia, foi morto com tijoladas na praça do município de Santa Rosa. Em Feijó, um katukina foi brutalmente espancado por um médico depois que reclamou do atendimento do sobrinho que acabará de morrer.
Para o líder indígena Saba Manchineri, a violência nas aldeias acontece de todas as formas. Começa pela religião, onde os costumes não estão sendo respeitados com a entrada de igrejas evangélicas.
Em Feijó se identificou que os comerciantes da região se apropriam dos cartões de benefícios dos índios kampas. Existem casos em que foram feitos empréstimos bancários com cartões dos indígenas.
“Os índios não estão encontrando apoio do poder público para denunciar esses casos. Quando se vai à Policia Federal eles dizem que só atuam em situações que envolvam várias pessoas e não casos isolados; O ministério público fala a mesma coisa. Onde vamos buscar nossos direitos?”, interrogou.
Outras formas de violência que o Cimi identificou vêm justamente de onde menos se espera: funcionários do Instituto Chico Mendes prenderam e algemaram índios que estavam num barco na área da reserva. Um deles era adolescente e estavam pescando no rio Môa em Mâncio Lima.
A coordenadora da Funai, Maria Evaniza da Silva, disse que essas denuncias chegam até fundação, mas as investigações são demoradas e isso gera impunidade. “Muitas vezes se demora até a reclamação chegar a sede da Funai, ou os índios tentam buscar diretamente a policia. Temos que combater a violência para evitar que ela cresça e vire rotina”, declarou.
O CIMI apontou ainda a falta de assistência à Saúde. Em Rio Branco, o Conselho Distrital de Saúde Indígena denunciou a falta de medicamentos nas aldeias, número reduzido de médicos, e até para se deslocar o índio paga do próprio bolso.
Numa das páginas, estão descritos os detalhes de um ashaninka que morreu depois que recebeu o tratamento errado. Em Feijó foram encontrados casos de crianças de 10 anos consumindo bebida alcoólica, não índios vendem tranquilamente cachaça nas aldeias.



