Cursos técnicos para quem mais precisa trabalhar
O investimento foi alto: R$ 11 milhões. O espaço nobre construído na entrada do Cidade do Povo abriga nos 6,5 mil metros quadrados: 25 salas de aula, 12 laboratórios e muitos outros espaços administrativos e de convivência. A nova unidade do Instituto Dom Moacyr, o Centro Campos Pereira, atende atualmente a comunidade do novo bairro de Rio Branco e região, com sete turmas.
“Houve turmas que começaram em 2017 como eletrotécnica e edificações e este ano começamos com computação gráfica, rede de computadores e técnico em informática.100% desses educandos são moradores aqui do Cidade do Povo. São alunos do Ensino Médio, estudam num turno e no outro turno frequentam com a gente”, explica a coordenadora geral da Escola Campos Pereira, Valeria Souza.
Encontramos em uma das salas, jovens guerreiros, sim guerreiros! Por que estudam no período da tarde, numa sala quente, sem ventilador ou ar condicionado, iniciaram o curso de técnico em edificações em agosto do ano passado. Quase um ano nessas condições e não se deram por vencidos.
Assim como os engenheiros, os alunos do curso de edificações podem fazer projetos residenciais e comerciais, por exemplo, mas limitados à dimensão de até 86 metros quadrados.
“Inicialmente aprenderam sobre material construtivo, estrutura, cálculos estruturais e agora estão iniciando com desenho técnico pra seguir pra projeto arquitetônico”, explica a orientadora do curso, arquiteta e urbanista, Caroline Albuquerque.
O Ministério da Educação (MEC) exige que, para serem atendidos pelo curso, os estudantes estejam cursando Ensino Médio, para que concluam na mesma época o ensino técnico. E eles sonham não só com o mercado de trabalho atual, como também com o futuro na universidade.
“Minha expectativa é sair com grande aprendizado quando entrar na universidade, sabendo grandes coisas”, afirma Alexandre Pereira Lima, de 18 anos.
“Eu procurei pra ajudar no rumo da engenharia porque é o básico, mas a gente estuda e saindo do Ensino Médio tem um curso profissionalizante e é mais fácil de se adaptar lá”, disse Otalicia de Souza, 17 anos.
Em todo Estado, o Instituto Dom Moacyr atende a mais de 5 mil alunos em cursos técnicos. Até o meio do ano, mais 2 mil devem iniciar o processo de capacitação.
“O objetivo é alcançar cada vez mais, mais pessoas com qualificação profissional.
Ficamos felizes pelo que conseguimos até hoje. Eu sempre falo que a educação profissional é uma formação que dá retorno imediato, então é muito bom quando você vê um profissional inserido no mercado de trabalho”, explicou Rita Paro, presidente do Instituto Dom Moacyr.
Joviana Oliveira se formou em 2014 como auxiliar de saúde bucal. Foi graças ao Instituto Dom Moacyr que ela deixou a vida de dona de casa pra trabalhar em um consultório odontológico.
“A partir do momento que eu fiz o curso e fui estagiar, estagiei e já fiquei empregada. Foi graças ao curso e eu agradeço a Deus todos os dias por que é uma oportunidade única que se surgir, a gente tem que agarrar”, afirma.
Jovi como é conhecida pelos amigos de trabalho acredita que um mundo de possibilidades se abriu a partir do ingresso dela no mercado de trabalho.
E pra quem busca uma oportunidade de abrir o próprio negócio, o Campos Pereira oferece formação inicial continuada, que são cursos com carga horária menor, mas com capacitação qualificada. No Cidade do Povo, a partir do mês que vem, serão oferecidas vagas para formação nas áreas de: cabeleireiros, pedreiro, eletricista, depilador, costureiro, mecânico de refrigeração e confeccionador de bolsas.
“Dentro do itinerário do curso ele tem conhecimento técnico a respeito da profissão, mas também tem uma parte de empreendedorismo. Para que quando possam concluir, possam montar seu próprio negócio, tendo toda essa orientação”, completa Valeria Souza.
E pra quem tem vontade de crescer, basta se agarrar a uma oportunidade, como bem disse a Jovi. Ela não para por aí, agora sonha em ir para faculdade. “É um passo além que eu vou dar. Odontologia eu quero fazer, com certeza”, afirmou.



