Caso poderia servir de mote para debater o que interessa
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Francisco de Assis Monteiro de Oliveira, minimiza o impacto do fechamento da fábrica de preservativos Natex. Ele contabiliza que o prejuízo maior está com os 170 funcionários da fábrica e não com os extrativistas.
“Nós estamos conversando tanto com o pessoal do Governo quanto com o pessoal da ‘fábrica de tacos’ para que uma parte dos funcionários da Natex seja empregada lá”, antecipa o presidente. Dos atuais 80 funcionários da antiga “fábrica de tacos” (atualmente chama-se Complexo Complexo Industrial Florestal de Xapuri), Francisco de Assis diz que pelo menos 40 “devem ter serviço” na safra que se inicia agora no início do verão amazônico, quando se começa o período de extração em áreas de manejo madeireiro que abastece a unidade.
Ao contrário do que era previsto, a tranquilidade do representante dos extrativistas, Francisco de Assis, contrasta com o nervosismo das tribunas nos parlamentos em Rio Branco. As dificuldades da gestão da Natex e prejuízos que a fábrica gera são combustíveis para os políticos que combatem o fortalecimento da Economia Florestal.
“Para o extrativista, as dificuldades são as mesmas de sempre. Não vai piorar mais porque a usina de GEB de Sena Madureira absorve a produção”, explicou o representante dos seringueiros de Xapuri. A unidade de beneficiamento de Granulado Escuro Brasileiro pertence à Cooperacre, a maior do país no segmento.
O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri calcula que o extrativista, atualmente, pode conseguir até R$ 10,02 pelo quilo do látex na usina de Sena Madureira. O preço de mercado efetivo é R$ 2, com acréscimo de R$ 0,40 (caso a borracha tenha boa qualidade, sem sujeiras); além disso, o Governo do Acre subvenciona mais R$ 2,30; o Governo Federal mais R$ 3,42 e a indústria Vert (uma indústria de calçados que tem a usina de Sena como fornecedora) paga mais R$ 1,90.
Mercado da borracha em crise no país
As informações do sindicalista são as mesmas do governador do Acre. Por telefone, Tião Viana confirma prejuízo de R$ 10 milhões anuais que a fábrica dava. Cada um dos 100 milhões de preservativos tinha custo de R$ 0,34. O Governo Federal pagava R$ 0,14. Os outros R$ 0,20 eram custeados pelo Governo do Acre.
O desenho administrativo da fábrica de preservativos de Xapuri é diferente dos demais empreendimentos criados na gestão de Tião Viana. A Natex era 100% estatal. “Ainda não há um prazo estabelecido, mas estamos avaliando a possibilidade de a Cooperacre conduzir”, afirmou o governador.
Nas viagens internacionais que fez, Tião Viana tentava intermediar novos parceiros. Tentou vender a ideia de produção de preservativos femininos para um grupo norteamericano. Mas, só ouviu negativas em função de contratos já em andamentos em regiões com mão de obra mais barata.
“A dificuldade é enorme, não apenas para o Acre. Até em regiões como São Paulo o mercado da borracha passa por crise”, pontuou o governador. De fato, o preço do látex está baixo no mercado brasileiro há quatro anos. Em São Paulo, maior produtor de látex do país, muitos seringais de cultivos deram espaço a outras culturas.



