Candidato desafia a qualidade da nossa democracia
Esse fenômeno que Jair Bolsonaro provoca por onde anda escapa às explicações racionais. Aliás, isso é um dos grandes incômodos que o candidato causa: deixar sem respostas lógicas os cientistas sociais, os analistas políticos, e os próprios adversários.
Quem não compreende, automaticamente, passa a desqualificá-lo. É assim que funciona na política, na religião, e em toda a história da civilização. Se algo força os indivíduos a uma reflexão ou até a uma mudança de postura, a tendência é que seja combatido de todas as formas.
Independente de querer entender ou explicar Jair Bolsonaro, ele está dando uma grande contribuição ao debate político. Por exemplo, quando revela a incoerência de uma candidata a presidente evangélica que não é contra o aborto nem contra as drogas, sem falar de outros candidatos que já tentaram confrontá-lo e se complicaram.
Bolsonaro também contribui com o debate quando provoca um político como Fernando Henrique Cardoso, a maior liderança viva do PSDB, a pedir publicamente apoio do PT, para impedir que Bolsonaro chegue à Presidência, revelando que o ex-presidente, no fundo, no fundo, também é um comunista.
Jair Bolsonaro também contribui muito quando revela o despreparo de alguns jornalistas da grande mídia que não se preocupam em extrair respostas úteis dele, mas apenas emparedá-lo com assuntos irrelevantes, repetitivos, ou de interesse apenas dos veículos para os quais trabalham.
Mas a maior contribuição que Jair Bolsonaro está dando é testar a nossa democracia. Estamos vendo se os que se dizem politizados mantêm a tolerância e o respeito, e mesmo a convicção das respostas exatas que apresentam para tirar o país do abismo em que está.
Discordar da postura belicosa de Bolsonaro é normal, saudável até em uma democracia. Quem discorda pode votar em outro candidato. Mas querer confrontá-lo no grito é que chega a ser infantil. Até porque qualquer futuro detentor de mandato executivo estará obrigado por lei a governar para todos.
As escolhas democráticas que o Brasil fez nos últimos 20 anos nos trouxeram até onde estamos hoje. O nosso futuro depende, necessariamente, da escolha que vamos fazer nos próximos dias. Nesse contexto, Jair Bolsonaro é, em última instância, um teste para nossa inteligência.
Rogério Wenceslau é jornalista e apresenta o programa Gazeta Entrevista na TV Gazeta.



