Avaliação se refere a apenas seis órgãos do Estado
O relatório entregue pelo Tribunal de Contas do Acre na semana passada ao governador eleito Gladson Cameli apontava 44 obras inacabadas no Estado. Só que esse número é bem maior. A quantidade apontada de construções inacabadas foi apenas as visitadas pelos técnicos do TCE, na verdade a relação chega a 57 obras.
O levantamento prévio é em apenas seis órgãos do Estado. Falta verificar outras secretarias e também as prefeituras, no final essa lista pode triplicar. Uma das obras visitadas pelo TCE é a urbanização de parte dos bairros Habitasa e Cadeia Velha, áreas sempre são castigadas pela cheia do Rio Acre.
Em agosto de 2017, a obra de R$ 4,5 milhões foi iniciada: 15 meses depois, não foi concluída. O escritório da empresa responsável pelos serviços está fechado e os moradores revoltados. A aposentada Maria Maciel conta que a Rua Venezuela, onde mora, era tijolada, hoje tudo está destruído.
“A antiga pavimentação era boa, foi arrancada e agora vivemos no barro, em dias de chuva é difícil sair de casa” reclamou.
Essa obra era de reponsabilidade das secretarias de obras, assim como a segunda etapa de infraestrutura do bairro Cidade do Povo, que também está paralisada, no entanto, já foram gastos R$ 2,7 milhões.
Tem ainda a construção de escolas indígenas em Porto Walter, Feijó e Jordão. Em Rio Branco, tem a construção da terceira etapa do Into o hospital de trauma e a reforma do Hospital do Câncer.
Só da secretaria de obras o montante com as construções chegava quase R$ 10 milhões, desse valor R$ 4 milhões já foram gastos.
O órgão com maior número de obras paralisadas é o Depasa: são 30 no total, todas de infraestrutura em diversos bairros em rio Branco e no interior do estado, como a construção de canal a céu aberto em Rodrigues Alves, no qual quase todo o dinheiro foi gasto e a obra anda longe de ser concluída.
Do Depasa, os valores contratados para as 30 obras chegavam a R$ 175 milhões. Só que R$ 130 milhões já foram desembolsados e os R$ 45 milhões que restam não se sabe se dá para concluir as obras.
O mesmo exemplo é a Secretaria de Indústria e Comércio. Havia a contratação de obras de frigorífico de peixes em Cruzeiro do Sul, polos moveleiros em Tarauacá e Sena Madureira e a reforma de dois prédio da ZPE, que nunca funcionou. Obras que ultrapassaram R$ 5,3 milhões, hoje restam apenas R$ 1,6 milhão.
O presidente do Tribunal de Contas, Valmir Ribeiro, explicou que o levantamento não tem intenção de politizar, mas, ajudar. “Houve um determinação para que todos os tribunais de contas do país fizessem uma relação das obras paralisadas, e esse relatório é o resultado desse pedido da corte suprema”, alegou.
No Deracre, existem contratos para a pavimentação asfáltica, terraplanagem e drenagem de diversas rodovias. A maioria partindo de Rio Branco em sentido a Porto Acre, Plácido de Castro e Transacreana. Tem ainda de Plácido a Acrelândia de Cruzeiro do Sul a Mâncio Lima e de Mâncio Lima a Rodrigues Alves.
Os contratos chegaram a R$ 13,5 milhões e quase R$ 9 milhões já foram gastos. Ficará a cargo do novo governo conseguir o restante do dinheiro que não foi sacado e tentar concluir essas obras.
Secretaria de obras
3 escolas indígenas
Porto Walter Feijó Jordão
Rio Branco 3ª etapa INTO
Reforma do Hospital do Câncer
Secretaria de Indústria e Comércio
Frigorifico de peixes / Cruzeiro do Sul
Polos moveleiros em Tarauacá e Sena Madureira
Reforma de dois prédios ZPE
Deracre
De Rio Branco / Porto Acre / Plácido de Castro, Transacreana
De Plácido de Castro a Acrelândia
Cruzeiro a Mâncio Lima
De Mâncio Lima a Rodrigues Alves



