Alerta é feito por acadêmico de Economia da Ufac
A maior participação dos estados da Amazônia Legal no PIB brasileiro não é comemorada pelo professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Acre Rubicleis Gomes da Silva. Para ele, o crescimento de 6,9% em 2002 para 8,6% em 2016, registrado pela análise geográfica ao PIB dos municípios feita pelo IBGE, deve ser avaliado com cautela.
“A gente cresceu porque o resto do Brasil entrou em crise profunda. Não é um ciclo virtuoso. Pode perceber que para a maior parte dos municípios do país o poder público ainda tem muita participação na economia dos municípios e isso não é bom”, analisa.
De fato, o IBGE constatou que para 55%, dos 5.570 municípios do país, a participação dos governos é fundamental. “Se para a maior parte das cidades os governos são fundamentais para a economia, e a indústria em crise em regiões estratégicas e com capital instalado, então esse crescimento da participação da Amazônia Legal no PIB é um indicador que precisa ser visto e analisado com cautela. Indica que a coisa não tá boa”.
Além do poder público (nas áreas da administração, Defesa, Educação, Saúde e Seguridade Social), a segunda maior participação é da Agropecuária na vida econômica dos municípios. Essa participação do poder público na economia das cidades diminui na região Sul (apenas 11% têm essa característica).
A concentração de capital pode explicar a injustiça social entre as regiões. “Seis municípios concentravam cerca de 25% do PIB do país: São Paulo (SP), com 11,0%, Rio de Janeiro (RJ), com 5,3%, Brasília (DF), com 3,8%, Belo Horizonte (MG), com 1,4%, Curitiba (PR), com 1,3% e Osasco (SP), com 1,2%”, diz o IBGE.
“Osasco, único município que não é capital entre os seis com maiores participações no PIB brasileiro, foi da 16ª para a sexta posição entre 2002 e 2016, principalmente devido às atividades de comércio, serviços de informação e atividades financeiras”, informa o documento do instituto.



