Entre janeiro e agosto deste ano, o Acre registrou 776 ocorrências de estupro, entre tentados e consumados, segundo dados do Observatório de Análise Criminal do Ministério Público do Estado. O número representa um aumento de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizados 656 casos.
Dos registros, 136 foram de estupro e 615 de estupro de vulnerável, envolvendo principalmente crianças e adolescentes, o que corresponde a mais de 80% das vítimas. A maioria dos casos, 751, foi consumada; apenas 25 foram tentativas.
Para a advogada e conselheira do Conselho Estadual da Mulher, Tatiana Martins, o crescimento dos números reflete também um aumento das denúncias.
“A gente fica muito triste com essa estatística, porque, infelizmente, ainda há uma falha muito grande dentro do serviço público, porque não estamos conseguindo evitar esse tipo de situação. Mas eu não vejo como algo totalmente negativo termos mais registros, porque quanto maior a informação, maior o índice de denúncias”, afirmou.
Tatiana alertou ainda para a realidade dos agressores, que na maioria das vezes são pessoas próximas às vítimas.
“Infelizmente, os mais vulneráveis estão mais expostos, e a maioria dos abusadores é o padrasto, quando não é o tio ou o próprio pai. O risco está dentro de casa. A gente precisa começar a falar sobre isso abertamente, enfrentar essa cultura ruim e tratá-la como inaceitável”, disse.
A violência sexual continua sendo uma das principais preocupações de autoridades e entidades civis. Especialistas destacam que o fortalecimento das políticas de proteção e a conscientização são passos fundamentais para reduzir os índices.
Quem tiver conhecimento de situações de abuso ou violência sexual pode denunciar pelo Disque 100, canal nacional de proteção a vítimas.
Com informações do repórter Marilson Maia, para a TV Gazeta



