O Acre registrou, em agosto, o maior custo médio do metro quadrado da construção civil entre os estados da Região Norte. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor chegou a R$ 2.108,08, ultrapassando tanto a média nacional (R$ 1.863) quanto a regional (R$ 1.915,71). No ranking nacional, o Estado aparece em segundo lugar, atrás apenas de Santa Catarina, onde o metro quadrado ficou em R$ 2.112,03, uma diferença de apenas R$ 3,95.
O aumento no Acre foi de 0,48% em agosto, acumulando 6,88% no ano e 8,05% em 12 meses, a maior variação anual da região. O estado superou vizinhos como Rondônia, Roraima e Amazonas, mostrando um ritmo de crescimento de custos acima da média.
Para o professor de Engenharia Civil da Universidade Federal do Acre (Ufac), Fernando Santos, a explicação para esse cenário está ligada a fatores estruturais, especialmente a logística e a disponibilidade de profissionais especializados.
“Por conta da nossa localização geográfica, o custo do material de construção devido à logística de transporte sai muito caro para a gente poder comprar, por exemplo, cimento ou brita, que vem da região da Abunã. Sem falar também da escassez da mão de obra especializada, que acaba pesando no valor final da construção. Quanto maior a especialização do profissional, mais caro também é o salário, e isso se reflete diretamente nos custos”, explicou.
Em comparação, Santa Catarina também aparece no topo do ranking, mas por razões distintas. O professor destaca que, no Sul, a alta se deve principalmente ao maior poder aquisitivo da população, à valorização do turismo, à demanda por segundas moradias e ao adensamento urbano.
“Santa Catarina é uma outra realidade. Lá, a renda da população é mais alta, há grande atratividade turística e um mercado de materiais de alto padrão, o que pressiona os preços. Aqui, no Acre, a questão é mais logística e estrutural”, complementou Santos.
Os custos elevados da construção também impactam diretamente o mercado imobiliário, encarecendo os imóveis e mudando a dinâmica da valorização urbana em Rio Branco.
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Acre (CRECI/AC), Márcio Santos, houve uma mudança no vetor de crescimento da capital.
“Até pouco tempo atrás, o centro e suas adjacências eram considerados as regiões mais nobres e valorizadas. Hoje, esse cenário mudou. O Plano Diretor atual mostra que a cidade cresceu em direção ao shopping, que passou a ser a área mais procurada. Essa valorização acompanha a procura e influencia o preço final dos imóveis”, afirmou.
O cenário coloca o Acre em evidência nacional tanto pelo custo da construção quanto pela valorização imobiliária. Se, por um lado, os desafios de logística e mão de obra elevam os preços, por outro, o mercado local ganha destaque, atraindo olhares para o potencial de expansão urbana da capital.
Com informações do repórter Marilson Maia para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



