Em uma aldeia indígena localizada no Peru, país que faz fronteira com o Brasil, na última sexta-feira (27) uma mulher foi morta a tiros e um acreano, que estava supostamente embriagado, é o principal suspeito de ter cometido o crime. A aldeia fica próxima à Santa Rosa do Purus, onde reside o suposto autor, que está foragido.
De acordo com a delegada de Polícia Civil responsável, Jade Dene, a peruana habita na cidade de Santa Rosa do Purus e na aldeia, ela se dividia entre os dois locais, assim como os outros indígenas da região, e foi dessa forma que as autoridades brasileiras souberam do caso.
“Essa peruana que foi assassinada ficava em Santa Rosa. Eles ficam passando como se fosse uma zona rural, eles moram em um lado e no outro também. E aí chegou a notícia”, afirma a delegada.
O ocorrido se torna difícil de ser investigado pela Polícia Civil do Acre (PCAC), pois os agentes não podem entrar e investigar sem falar com as autoridades peruanas. Além disso, destaca que o homem só pode ser preso no Brasil caso seja pego em flagrante.
“A gente não pode entrar como brasileiro sem falar com uma autoridade peruana, não podemos entrar em outro país e investigar o crime. O flagrante, ele entrando no Brasil, a gente consegue fazer e prender ele”, informa Dene.
Em meio a isso, existe uma preocupação da delegada sobre o tempo de um flagrante. Segundo ela, após o período do flagrante, que é de 24 horas depois do ocorrido, os policiais já não podem mais pegar e prender uma pessoa.
“Pela nossa lei, ele entrando no Brasil a gente poderia prendê-lo. A questão é que só podemos prender em flagrante. Após o período, não podemos mais pegar e prender a pessoa. Precisaríamos de um mandato judicial, uma expedição de mandado de prisão pelo juiz”, detalha.
Para que um mandado judicial seja solicitado, precisa haver provas e uma das únicas provas é o corpo da vítima. A delegada conta que conversou com os agentes peruanos e pediu para que eles tentassem trazer o cadáver para o Brasil para, então, um médico atestar o óbito.
“Eu até falei com os agentes de lá e disse ‘Gente, vamos ver se o corpo entra no Brasil, para o médico fazer a autópsia, para podermos pegar a certidão de óbito e enterrar, porque a gente quer materialidade e a prova é o corpo’”, destaca.
A polícia brasileira acredita que o suspeito não está no Brasil, mas caso venha, seria melhor para eles. Dene disse ainda que ele deve estar em região de mata, escondido.
“Se ele entrar vai ser melhor para a gente. É mata, ele deve estar escondido, deve estar esperando passar uns dias. É muita mata, muito rio, não tem como a gente ir”, reitera.
A motivação é desconhecida, mas um feminicídio não é descartado por Jade Dene. As investigações precisam ser feitas para obterem respostas concretas. Apesar disso, pontua que toda a materialidade está dentro do Peru, como a arma de fogo e o corpo.
“A aldeia indígena fica bem longe da cidade mais próxima da fronteira com o Peru. Então, estamos em busca de informações. O autor é foi reconhecido pela polícia”, conclui.
Canais de ajuda
Metade dos brasileiros conhece ao menos uma mulher vítima de violência doméstica, por isso, se você que está lendo essa matéria estiver passando por agressão física, violência sexual, psicologica ou patrimonial ou conhece alguma mulher que esteja, entre em contato com as centrais de ajuda:
Centro de Atendimento à Vítima (CAV): Rua Marechal Deodoro, 472, Prédio-Sede do Ministério Público – cav@mpac.mp.br – (68) 99993-4701;
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam): Via Chico Mendes, 803 – Triângulo (ao lado do Deracre) – (68) 3221-4799;
Centros de Referência de Assistência Social (Cras):
Sobral: Rua São Salvador, 125 – (68) 3225-0787;
Calafate: Estrada Calafate, 3937 – (68) 3225-1062;
Bairro da Paz: Rua Valdomiro Lopes, 1728 – (68) 3228-7783;
Vitória: Rua Raimundo Nonato, 359 – (68) 3224-5874;
Tancredo Neves: Rua Antônio Jucá, 810 – (68) 3228-1334;
Santa Inês: Rua da Sanacre, 1327 – (68) 3221-8311;
Triângulo Velho: Rua Flávio Baptista, 200 – (68) 3221-0826;
Casa Rosa Mulher: Rua Nova Andirá, 339 – Cidade Nova – (68) 3224-5117;
Serviço de Atendimento à Violência Sexual: Maternidade Bárbara Heliodora – Travessa da Maternidade – Bosque;
Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Física: Upas Sobral, Segundo Distrito, Cidade do Povo e Pronto-Socorro;
Ministério Público – Centro de Atendimento à Vítima (CAV): sede – R. Mal. Deodoro, 472 – Centro – (68) 3212-2000;
Defensoria Pública – Núcleo de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência: Av. Antônio da Rocha Viana, 3057 – (68) 3215-4185;
Denúncias contra violência mulher – Disque 180.



