Por trás de um sorriso tímido e de uma fala calma, a estudante Ana Joyce do Carmo Gomes, de apenas 14 anos, guarda uma história que impressiona e inspira. A aluna do Colégio Militar Tiradentes, em Rio Branco, é reconhecida como uma estudante superdotada, já foi aprovada em 14 cursos de graduação — entre instituições públicas e privadas — e alcançou o primeiro lugar geral no concurso estadual da Educação.
Mas, para além dos números, o que mais chama atenção é a naturalidade com que ela encara tudo isso. “Eu fiz o concurso só para testar meus conhecimentos, sem criar expectativas”, conta Ana, com simplicidade.
Ana se define como “uma pessoa curiosa”, e talvez esteja aí a essência de seu talento. Aos 4 anos, começou a tocar teclado; aos 5, violino; e aos 6, violão. Atualmente, faz aulas de saxofone e segue uma rotina intensa: estuda pela manhã, descansa um pouco à tarde e participa de atividades extracurriculares,, entre elas, aulas de inglês e preparação para o Enem.

A mãe, Vânia do Carmo Nery, conta que o dom da filha começou a se destacar muito cedo.
“Eu percebi que ela se diferenciava aos cinco anos. No início, achei que fosse algo natural, mas logo vimos que ela tinha uma curiosidade fora do comum. Sempre apoiamos, mas nunca impusemos nada. Ela faz porque gosta”, contou Vânia.
Hoje, Ana já acumula aprovações em universidades de 12 estados, entre elas a Universidade Federal do Acre (Ufac), Ufam, Unir, UFRB e Uninorte, em cursos que vão de Matemática e Física a Medicina e Direito.

Superdotação
A trajetória da adolescente é acompanhada pelo Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), ligado à Secretaria de Educação do Acre (SEE). O núcleo identifica e orienta estudantes com potencial elevado, oferecendo acompanhamento pedagógico e psicológico.
Segundo a mãe, o apoio foi essencial:
“O acompanhamento do NAAH/S ajudou a entender melhor as necessidades dela. A Ana tem facilidade, mas precisa ser estimulada. É um trabalho de família e escola juntos.”
Sonhos e cotidiano
Apesar do currículo impressionante, Ana leva a vida como uma adolescente comum. Gosta de dormir, comer, assistir TV e ler manhwas, as histórias em quadrinhos coreanas que são sua paixão. Ainda assim, tem sonhos grandes: quer cursar Medicina e se especializar fora do país.

“Quero ser médica. Sempre quis ajudar pessoas e fazer algo que me desafie. Tenho uma meta em mente e tento de todos os jeitos encontrar o método que mais funciona pra mim”, contou ao Agazeta.net.
Sua inspiração vem de outro jovem prodígio: Caio Temponi, o estudante que passou no ITA com 14 anos.
“Ele mostrou que é possível. Eu quero seguir esse exemplo e ir além.”
Dia das Crianças e o futuro que nasce da curiosidade
A história de Ana Joyce ganha um significado ainda maior nesta semana do Dia das Crianças. Em meio a uma geração que vive cercada por distrações e pressões, ela representa o poder da curiosidade infantil guiada pelo afeto, pela educação e pelo incentivo familiar.
“Ela é muito dedicada e responsável, tem consciência do que quer e muita autonomia”, resume a mãe.
Em um país onde estudar nem sempre é fácil, Ana Joyce é um lembrete de que o talento floresce quando encontra oportunidade, apoio e amor.
Com informações de Gisele Almeida, para o site agazeta.net



