O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), tornou pública uma nota de repúdio após declarações do treinador do Vasco da Gama-AC exibidas em reportagens de TV locais. As falas ocorreram enquanto ele comentava denúncias de estupro que envolvem atletas sob sua supervisão.
Segundo a nota, ao tentar se posicionar sobre o caso, o treinador “desqualificou” o trabalho da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), insinuando parcialidade nas investigações.
“Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher”.
O texto destaca preocupação com o “teor misógino” das declarações do treinador, nas quais, segundo a semulher, ele atribui às mulheres a responsabilidade pelas condutas dos jogadores na tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro.
“Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros e que qualquer tentativa de transferir essa responsabilidade “configura culpabilização da vítima”, diz a nota.
A Secretaria de Estado Da mulher (Semulher) lembra que consentimento não é permanente, nem automático e que, mesmo diante de um encontro prévio, a ausência de consentimento em qualquer momento configura crime. Além disso, enfatiza que os relatos de tapas e puxões de cabelo mencionados pelo treinador caracterizam violência física somada à violência sexual, aumentando a gravidade dos fatos.
A secretaria informa que está prestando acompanhamento às vítimas e afirma que nenhuma forma de violência será tolerada.
“Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas, incentivam crimes contra as mulheres e afastam muitas delas da busca por justiça”.
Confira a nota na íntegra:
O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), vem a público manifestar repúdio às declarações proferidas pelo treinador de futebol do clube Vasco da Gama-AC, em reportagens exibidas em programas de TV locais.
Durante sua fala, ao se posicionar sobre denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade, o treinador desqualifica o trabalho técnico, ético e legal da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações.
Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher.
Causa especial preocupação, ainda, o conteúdo misógino e discriminatório presente nas declarações, ao atribuir às mulheres a responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros. Cada pessoa responde por seus próprios atos, e qualquer tentativa de transferir essa responsabilidade às mulheres configura culpabilização da vítima.
É igualmente inaceitável a tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro. Consentimento não é permanente, nem automático. Ainda que tenha havido encontro ou intenção inicial de relação sexual, a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso. Sexo sem consentimento é estupro. Além disso, os relatos de tapas e puxões de cabelo mencionados nas falas caracterizam violência física, somando-se à violência sexual, o que eleva ainda mais a gravidade dos fatos.
A Secretaria de Estado da Mulher reforça que vem fazendo o acompanhamento das vítimas do caso em questão e reafirma que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional.
Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas, incentivam crimes contras às mulheres e terminam por afastá-las da busca por justiça.
Por fim, o governo do Estado do Acre reitera seu compromisso com a proteção das mulheres, o respeito às vítimas, a valorização do trabalho das instituições públicas e a promoção de uma cultura de responsabilização, igualdade e respeito.
Márdhia El Shawwa
Secretária de Estado da Mulher



