Fechada desde 2019 e atingida por um incêndio em 2022, a Biblioteca da Floresta, localizada no Parque da Maternidade, na região central de Rio Branco, será reinaugurada nas próximas semanas após passar por um processo de revitalização. A previsão é que o espaço volte a funcionar a partir do dia 20 de março.
Reconhecida como um dos principais equipamentos culturais do Acre, a biblioteca é especializada em temas relacionados à Amazônia e reúne mais de cinco mil títulos entre livros, jornais, pesquisas acadêmicas, filmes e CDs. O acervo incluirá ainda coleções pessoais de nomes como o historiador Leandro Tocantins e o artista acreano Hélio Melo.

Além do acervo, o espaço conta com salas climatizadas para estudo, auditório e áreas destinadas a exposições permanentes, incluindo elementos da cultura indígena da região.
Para a historiadora e gestora de Políticas Públicas da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Iri Nobre, a biblioteca cumpre um papel que vai além do acesso à leitura.
“A biblioteca da Floresta está fechada desde 2019, há mais de cinco anos. Ela é especialíssima. Uma biblioteca educa, inspira, instrui e oferece possibilidades. E uma biblioteca temática, no meio da Amazônia, em um estado que ainda enfrenta desafios ambientais, é de suma importância”, afirmou.

Segundo ela, o espaço sempre teve como marca o protagonismo dos povos da floresta, valorizando tanto os povos originários quanto os saberes tradicionais ligados à fauna, à flora e à preservação ambiental.
“A floresta tem vida nas árvores, na fauna, na flora, e toda essa vida é mostrada na Biblioteca da Floresta. Isso não vai mudar. O protagonismo dos povos da floresta permanece como essência do espaço”, destacou.

O que muda com a revitalização?
Embora preserve as características originais, a nova fase da biblioteca trará avanços estruturais e tecnológicos. Entre as principais mudanças está a ampliação do espaço infantil, melhorias na expografia e atualização de mobiliário.
“A revitalização mantém tudo que ela nasceu para ser e inova do ponto de vista da praticidade. Ampliamos o espaço criança, investimos em melhorias identificadas pela equipe e incorporamos conhecimentos atualizados em museologia e acessibilidade”, explicou Iri.

Uma das mudanças mais significativas é a adaptação completa do prédio para acessibilidade. O espaço agora conta com rampas laterais que garantem acesso digno a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
“Hoje temos um olhar mais democrático para esses espaços. As legislações e os conhecimentos na área museal evoluíram, e isso se reflete no prédio e na forma como ele vai receber as pessoas”, ressaltou.

Preparativos finais
No momento, as equipes finalizam a montagem do mobiliário, a organização da expografia e o manuseio do acervo, responsabilidades da Fundação Elias Mansour. A Secretaria de Obras Públicas (Seop) atua na fase de acabamento predial.
Outro ponto destacado pela gestora é o treinamento da equipe que atuará no local. Segundo ela, todos os servidores passaram por capacitação.
“Não falo apenas dos guias, mas também de quem vai cuidar da limpeza ou do atendimento. Todos são servidores e receberam o mesmo treinamento, para que compartilhem desse sentimento e dessa paixão pela Biblioteca da Floresta”, afirmou.
Com a reabertura da biblioteca, o espaço retoma sua função como centro de difusão de conhecimento, memória e valorização da cultura amazônica no Acre.




