A poucos meses da nova previsão de entrega, a Prefeitura de Rio Branco apressa os trabalhos finais do elevado em frente à ABB, enquanto tenta responder aos questionamentos levantados pela Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura, menos de 5% da obra resta para a conclusão. De acordo com a prefeitura, a estrutura do viaduto está finalizada.
Neste momento, as equipes executam serviços de acabamento, implantação das vias laterais e instalação dos postes de energia. A inauguração, inicialmente prevista para o ano passado, foi adiada e agora tem previsão para março.
O avanço físico da obra ocorre em meio a questionamentos. Relatório divulgado pela CGU na última sexta-feira aponta a inexistência da memória de cálculo da obra, documento que estima prazos e etapas do serviço. Sem o cronograma formalizado, o empreendimento acumulou atrasos.
Outro ponto destacado é o impacto financeiro. Orçada inicialmente em R$ 25 milhões, a obra já está no terceiro termo aditivo e ultrapassa R$ 27 milhões. Para os auditores, a ausência de planejamento detalhado pode ter contribuído para o aumento dos custos.
A CGU também apontou possível incompatibilidade técnica da empresa Albuquerque Engenharia, responsável pela execução do elevado. Conforme o relatório, a Certidão de Acervo Técnico (CAT) da empresa habilita para obras de menor porte e complexidade, como galpões com cobertura metálica, e não para viadutos com tráfego de veículos e pedestres.
“Por não considerar compatível, fixou-se no relatório que a empresa não teria capacidade técnica adequada para a construção do viaduto. Isso potencializa, sim, os riscos de a empresa não conseguir, não ter a capacidade de executar a técnica adequada na construção do viaduto, mas acredito que a prefeitura de Rio Branco tenha trabalhado para diminuir esses riscos, tenha trabalhado para que a execução tenha sido com a qualidade devida”, afirmou Osmar Nilo, superintendente da CGU no Acre.
Segundo o órgão, viadutos exigem técnicas específicas e eventuais falhas estruturais podem comprometer a integridade da construção.
Prefeitura rebate e atribui atrasos à logística
O secretário municipal de Infraestrutura, Cid Ferreira, atribuiu os atrasos principalmente à entrega fora do prazo de vigas metálicas por uma empresa de São Paulo, além de dificuldades logísticas e escassez de mão de obra.
“E aqui, primeiro, moramos bastante distante, dependemos, o insumo dependemos das empresas, das fábricas, das indústrias lá do sul do país. Temos aqui inverno, verão e o pior, a carência de mão de obra. Então, os atrasos fazem parte das obras, fazem parte das adequações, mas uma obra, as nossas obras, inicia e termina”, declarou.
Sobre a capacidade técnica da empresa contratada, o secretário contestou as conclusões do relatório.
“Jamais a prefeitura faria uma concordância de uma empresa que nunca teve experiência, como foi falado, que não tem condições de executar uma obra como aquela. E seria aprovado. Foi analisado aqui pelos técnicos da prefeitura, foi analisado pelo próprio Ministério, que é o financiador, pela Caixa Econômica. Então acredito que alguém aí deve estar equivocado com alguma afirmação”, afirmou Cid.
A prefeitura sustenta que o projeto foi aprovado pelos órgãos de fiscalização e que não há riscos à segurança da estrutura.
O relatório da CGU foi encaminhado a órgãos de controle, entre eles o Ministério Público Federal, que poderá solicitar inspeção técnica para avaliar a segurança do elevado e verificar se há inconsistências na execução.
Com informações do repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



