A bancada federal do Acre não destinou nenhum recurso de emendas individuais ao Orçamento da União de 2026 para ações relacionadas ao meio ambiente e ao enfrentamento das mudanças climáticas. O dado consta em um levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), divulgado pela Folha de S.Paulo, que analisou a distribuição das emendas parlamentares aprovadas pelo Congresso Nacional.
De acordo com o estudo, do total de R$ 26,6 bilhões indicados por deputados federais e senadores em emendas individuais, apenas 0,58% foi destinado à agenda ambiental em todo o país, o equivalente a R$ 154 milhões. No recorte por estado, o Acre aparece entre as oito unidades da federação cujos parlamentares não reservaram recursos para a área.
Além do Acre, também não houve destinação de verbas ambientais por representantes de Alagoas, Amapá, Maranhão, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe.
Baixa prioridade para políticas ambientais
A análise do Inesc considerou 97 ações orçamentárias ligadas à política ambiental e climática, incluindo gestão de riscos e desastres, proteção de recursos hídricos, bioeconomia, adaptação urbana e defesa civil. Mesmo dentro desses programas, os valores indicados por parlamentares de outros estados foram avaliados como baixos em relação ao orçamento total.
Segundo a reportagem, mais de 65% das emendas nacionais classificadas como ambientais foram destinadas a ações de proteção e bem-estar animal, enquanto áreas consideradas estratégicas, como prevenção de enchentes e enfrentamento da emergência climática, ficaram praticamente sem aportes de emendas individuais.
Contexto orçamentário
O levantamento aponta ainda que o aumento do volume de recursos sob controle direto do Congresso Nacional tem contribuído para reduzir proporcionalmente os investimentos públicos estruturantes em políticas ambientais, reforçando um desequilíbrio histórico na alocação de verbas federais.
Com informações de Debora Ribeiro, para a TV Gazeta



