A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém (PA), já mobiliza representantes do mundo todo e o Acre marcará presença com uma das iniciativas mais simbólicas do evento: o Comitê Chico Mendes levará para a capital paraense uma réplica da fachada da Casa Azul, onde o líder seringueiro viveu em Xapuri.
A casa, com suas janelas rosas e estrutura de madeira simples, foi reconstruída no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi e funcionará como o centro das atividades do Comitê durante a conferência. Mais do que um ponto de visitação, o espaço será um ambiente educativo e político, voltado a aproximar o público da memória e do legado de Chico Mendes, que é um símbolo da luta pela floresta em pé e pela justiça social na Amazônia.
“Nosso intuito é mostrar que não é possível discutir a Amazônia sem colocar Chico Mendes e todo o seu legado no centro das conversas. As pautas que Chico levantou em vida, sobre floresta em pé, justiça social e solidariedade entre os povos, continuam atuais e urgentes”, explica Angélica Mendes, articuladora do Comitê e neta do líder seringueiro.

O Comitê Chico Mendes
Fundado em 1988, logo após o assassinato de Chico, o Comitê Chico Mendes tem como missão formar jovens lideranças e fortalecer comunidades extrativistas. Para a COP30, o grupo leva uma comitiva de cerca de 40 pessoas, entre lideranças comunitárias, jovens da Reserva Extrativista Chico Mendes e corpo técnico, em parceria com o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), que mobiliza cerca de mil representantes de todo o país.
Além da presença física, o Comitê terá uma agenda intensa de debates e apresentações. A presidenta Angela Mendes participará de mesas sobre territórios de uso coletivo, defensores de direitos humanos e financiamento climático. A pesquisadora Anaís Cordeiro abordará o tema da transição energética, e o grupo apresentará o documento de Recomendações de Políticas das Populações Extrativistas do Acre, elaborado junto ao coletivo de jovens Varadouro.
“Mais do que marcar presença, nossa participação é uma forma de afirmar que as soluções para a crise climática passam necessariamente pelas pessoas que vivem e cuidam da floresta”, reforça Angélica.

Um espaço vivo da Amazônia
A ideia de recriar a Casa Azul nasceu do desejo de tornar a presença acreana na COP30 uma experiência sensorial e afetiva.
“A Casa Azul é um ícone da resistência e da simplicidade da vida extrativista. Mais do que transportar madeira, transportamos memória e esperança”, diz Angélica.
O espaço, concebido em parceria com artistas e arquitetos amazônicos, vai abrigar também uma Casa de Seringueiro, que representa o modo de vida das famílias extrativistas, e um domo imersivo, onde o público poderá “sentir a floresta de dentro”.

Além disso, haverá uma Feira da Sociobiodiversidade, com produtos da floresta, rodadas de negócios e encontros entre povos amazônicos e de outros biomas. O projeto ainda prevê exposições, apresentações culturais e rodas de conversa sobre o legado de Chico e a valorização dos povos originários.
“Nossa meta foi construir um espaço vivo, educativo e político, que mostrasse a Amazônia de dentro, pelos olhos de quem nela vive”, resume Angélica.
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