A morte de Yara Paulino, acusada de matar a própria filha, completa um ano nesta sexta-feira (27). O caso aconteceu em 27 de março de 2025 no conjunto habitacional Cidade do Povo em Rio Branco, onde a jovem foi espancada até a morte.

Relembre o caso
Um boato que dizia que Yara teria matado a própria filha, Cristina Maria de 2 meses de idade, se espalhou após descoberta de uma ossada em área de mata encontrada a cerca de 150 metros da casa de Yara próximo a data do desaparecimento da criança.

Yara Paulino, de 27 anos, foi submetida a um “tribunal do crime” onde foi torturada por horas e espancada até a morte em via pública.
A jovem acusava o ex-marido de ter raptado a criança, mas não procurou as autoridades para registrar o caso e buscava contato com as facções para resolver a situação.
Após a morte de Paulino, a perícia concluiu que a ossada encontrada não era humana e outra linha de investigação passou a ser analisada.
Conclusão do caso
A polícia concluiu que o crime não foi espontâneo e que o boato teria sido criado de forma deliberada para justificar o assassinato de Yara.
“Eu imagino que dentro desse cenário, em algum momento, se criou também a fake News de que a mãe tivesse matado a própria filha, porque isso geraria uma espécie de julgamento do tribunal do crime, em desfavor da própria mãe, e foi o que de fato aconteceu”, contou o delegado Alcino Júnior.
De acordo com o delegado, ao longo da investigação, foram presos o ex-marido de Yara, o cunhado e outros membros de facções criminosas.
“Foi uma investigação muito bem-produzida pelo delegado Leonardo Ribeiro. Essa investigação consegue responsabilizar não só os executores, mas quem estava durante esse tribunal”
Júnior contou ainda, que antes da investigação do assassinato de Yara a polícia ainda não tinha ciência do desaparecimento da criança.
“Em várias entrevistas, mas inicialmente com o pai, acabamos descobrindo que essa criança não tinha sequer registro de nascimento, sendo que o nascimento dela, na certidão de nascido vivo datava de novembro do ano anterior e isso era em março de 2024. Então você imagina que é quase inacreditável que em 2024 uma criança nascesse em uma maternidade e não fosse registrada, em seguida passasse por todos esses de exames preliminares recentes ao nascimento sem qualquer rastreabilidade das autoridades, seja elas de saúde ou de assento civil”.

O registro de nascimento e de desaparecimento da criança foram feitos somente após a morte de Yara, por insistência da polícia. A falta de rastreabilidade dificultou que a polícia pudesse fazer uma simulação de como seria a criança hoje.
A causa do desaparecimento não foi esclarecida, mas a polícia cogita a possibilidade de a criança ter sido negociada.
“A gente acredita que o pai, a própria mãe, ou os dois em comum tenham feito essa negociação e depois a desistência por parte da mãe pode ter acontecido pela situação de vulnerabilidade. A gente acabou descobrindo que não são casos incomuns, em ambiente de vulnerabilidade, pessoa negociarem crianças”, afirmou o delegado.
Cristina Maria, foi incluída na plataforma Amber Alert, que divulga desaparecimentos de crianças em canais oficiais e redes sociais. Ela foi vista pela última vez em 15 de março de 2025, segundo o alerta.
Os investigados seguem presos esperando o julgamento e o desaparecimento da criança continua em apuração.
Com informações do repórter Luan Rodrigo e editada pelo site Agazeta.net.



