Em apenas três anos, as áreas consideradas de risco de erosão em Rio Branco triplicaram, segundo relatórios da Defesa Civil Municipal. Atualmente, a capital acreana possui 62 regiões com possibilidade de movimentação de solo a qualquer momento, colocando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade.
Um dos exemplos mais críticos é o bairro Preventório, onde oito casas já foram destruídas pelo avanço da erosão. Ao todo, 600 famílias precisaram ser retiradas dessas áreas e hoje vivem em imóveis alugados, com os custos pagos pelo poder público. No entanto, o número de pessoas que ainda precisam deixar locais considerados inseguros é muito maior: cerca de 4 mil famílias seguem morando em áreas ameaçadas pela instabilidade do solo.
No bairro Cidade Nova, a situação também preocupa. De acordo com a Defesa Civil, 14 famílias já foram retiradas, enquanto outras 17 precisam sair com urgência devido ao risco iminente de novos desbarrancamentos. As chuvas intensas registradas nos últimos meses aceleraram o processo de erosão e ampliaram o perigo para quem permanece nesses locais.
Morador da região, João convive diariamente com o medo de perder a casa para o avanço do rio. Segundo ele, o que ainda impede que o imóvel seja levado é a raiz de uma mangueira localizada no quintal. Ainda assim, o receio é constante de que uma cheia mais forte arranque a árvore e provoque o desabamento da residência, adquirida com todas as economias da família.
“Todo dia eu dou uma olhada. A gente corre risco, né? Tem que estar sempre observando”, relata o morador.
Dados da Defesa Civil apontam que cerca de 16 mil pessoas vivem atualmente em áreas de risco em Rio Branco, número que pode ser ainda maior. As fortes chuvas registradas em dezembro do ano passado e no início de janeiro deste ano provocaram novos pontos de erosão em diferentes regiões da cidade. Um levantamento mais preciso só deve ser concluído em abril, quando será realizada uma nova avaliação geológica nos locais afetados.
“As áreas que já são monitoradas acabam sofrendo agravamento, e também podem surgir novas áreas por causa do grande volume de chuva. São regiões em situação de rastejo, que é uma movimentação lenta do solo, mas constante, e que pode se agravar”, explicou o coronel Falcão, coordenador da Defesa Civil de Rio Branco.
Como resposta ao problema, a Prefeitura de Rio Branco anunciou a construção de moradias por meio de um programa do governo federal. No entanto, a quantidade de unidades habitacionais previstas ainda está muito abaixo da demanda real, o que dificulta a retirada de todas as famílias que vivem hoje em áreas de risco na capital.
Com informações do repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



