Por Kerolayne França para o Agazeta.net
Professor da Universidade Federal do Acre (UFAC) e cientista político, Nilson Euclides compareceu ao programa Gazeta Entrevista, nesta terça-feira (16), para falar sobre a polarização política no país e no estado do Acre.
Para Euclides, existem vários elementos para adicionar em uma análise desse tema, porém há, dentro desse processo, um movimento da extrema direita que não ocorre só no Brasil.
“Quando falamos de eleição polarizada, no Brasil vemos uma extrema direita mais acirrada, a gente não tem definitivamente uma extrema esquerda”, relata o professor.
A era tecnológica contribuiu significativamente para essa polarização política, a extrema direita não estaria tão organizada se não fosse as redes sociais. Segundo o professor, esse não é o principal fator, há também um componente religioso, ideológico e um discurso que se baseia na eliminação de seu adversário.
O cientista político destaca a semelhança entre o norte-americano Donald Trump e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro: “Eles são semelhantes na medida em que fazem discursos radicais de direita, mas termina aqui. Tem a questão intelectual, formação partidária e pessoal. Ele [Trump] é um grande empresário, articulado com os meios de comunicação e tem uma visão da sociedade americana muito mais aprofundada que o ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Para o professor, a religião dentro da política não é só um movimento evangélico, e sim um projeto de poder que vem sendo construído como um projeto de ocupação que não se limita somente aos partidos e ao congresso nacional.
“Esse projeto de poder do movimento evangélico, das igrejas pentecostais, está muito bem colocado nos centros comunitários, nas comunidades mais populares e até no conselho da criança e adolescentes. Ou seja, a gente precisa parar de pensar que a influência da religião na política do Brasil é apenas um fenômeno passageiro, ele trata de um projeto político”, ressalta.
Referente às eleições deste ano de 2024, Euclides conta que existe um quadro definido, na qual o ex-prefeito Marcus Alexandre (MDB) ocupa a pesquisa com quase 50%, por outro lado o atual prefeito Tião Bocalom (PP), continua com uma taxa de rejeição muita alta, em torno de 30%, sendo que ele deveria estar na posição do ex-prefeito, visto que ele está à frente do cargo e possui toda a estrutura.
“Falta de trabalho político, articulação e falta de ações efetivas na cidade”, explica o professor referente a taxa de rejeição do atual prefeito. Ele destaca também que, com a pesquisa atual das eleições, não teremos segundo turno entre Marcus Alexandre e Tião Bocalom, mas com o decorrer do ano essa perspectiva pode mudar.
Estagiária supervisionada por Gisele Almeida

