Antes de discutirmos a importância dos espaços de produção dentro da universidade pública, é necessário situar os(as) leitores(as) sobre o que é e quem compõe o Coletivo Artístico Errantz. Surgido em 2023 a partir da iniciativa de três estudantes do curso de Licenciatura em História da Ufac, com o desejo de expor suas produções artísticas, o Errantz realizou sua primeira mostra ao público durante a 21ª Semana Acadêmica de História. Na ocasião, seus idealizadores, Diego Fontte, Jhônatas Nathan e José Lucas, apresentaram seus talentos autodidatas.
Ao reconhecerem a necessidade e a importância da democratização da arte no ambiente universitário e, sobretudo, para além dos muros das instituições, o coletivo foi oficialmente fundado e aberto à participação de novos artistas. Nesse contexto, o Errantz sentiu de forma direta o impacto da ausência de espaços adequados para produzir e expor suas criações, o que, embora tenha representado um obstáculo, também contribuiu para moldar sua filosofia: ser um grupo que ultrapassa os limites da universidade e que aposta na arte como ferramenta para uma educação interdisciplinar que pensa no sujeito social, político e histórico.

No decorrer de suas atividades, o coletivo percebeu que, embora atuasse para além dos muros institucionais, o espaço da universidade era fundamental para a ampliação de seu trabalho em arte-educação. Assim, iniciou-se uma jornada em busca desse objetivo, especialmente diante da constatação da inexistência de um espaço adequado para tais práticas. Nesse processo inicial, o Errantz contou com o apoio da Adufac e de professores do curso de História da Ufac.
Por quase dois anos, professores cederam salas para que o coletivo pudesse guardar materiais e produzir artes e ações voltadas à educação de crianças e jovens dos bairros de Rio Branco. Foi nesse período que a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura tomaram conhecimento do trabalho do grupo e, reconhecendo sua relevância, disponibilizaram espaço para o armazenamento de mais de 100 obras do coletivo, além de materiais para produção.

No entanto, esses espaços eram provisórios, o que limitava a ampliação das atividades desenvolvidas pelo coletivo. Diante disso, o Errantz passou a reivindicar um espaço fixo que atendesse às diversas necessidades de seu trabalho, como a produção artística, a escrita de artigos científicos e textos jornalísticos, bem como a elaboração e realização de oficinas sob a perspectiva da arte-educação.
A luta por esse espaço teve como estratégia demonstrar, no âmbito institucional, o alcance e a importância dos trabalhos desenvolvidos pelo coletivo nas escolas de Rio Branco e instituições federais, como o Ifac. Entre conversas e reuniões, foram debatidas as possibilidades de a universidade atender a essa demanda e, após meses de diálogo, por meio da PROEX e da DACIC, o coletivo finalmente conquistou oficialmente uma sala, cedida pela Biblioteca Central da UFAC após conhecer as realizações do Errantz.

Mas essa jornada não se encerrou com a conquista oficial da sala, pois então tiveram início os trabalhos de organização e reforma do novo espaço. Para isso, o coletivo contou com o apoio de Fabiana Nogueira Chaves, produtora cultural da Ufac; Lya Januária Vasconcelos Beiruth, diretora da Diretoria de Arte, Cultura e Integração Comunitária; e Alanna Santos Figueiredo, diretora da Biblioteca Central da Ufac, que foram essenciais no planejamento e na obtenção de móveis e outros bens necessários para garantir um local de trabalho adequado. Após cinco meses de esforços contínuos, chegou o tão sonhado dia da inauguração.
No dia 8 de dezembro de 2025, a Universidade Federal do Acre oficializou a inauguração do primeiro Studio de Artes Plásticas e Produção Cultural da Ufac. A solenidade ocorreu no andar superior da Biblioteca Central, onde se localiza a sala do Errantz. Estiveram presentes a reitora da Ufac, pró-reitores, autoridades políticas, professores, artistas, estudantes, representantes do Diretório Central dos Estudantes – DCE e os membros do Coletivo Errantz.

O processo de oficialização do Studio levou cerca de um ano, mas, durante esse período, o coletivo não permaneceu estagnado. Ao contrário, seguiu realizando trabalhos dentro e fora da universidade. Entre exposições, mostras artísticas, produções acadêmicas e ações em escolas, o grupo manteve-se firme em seu objetivo de democratizar a arte, compreendendo que produzir arte não se limita ao ato de desenhar, mas envolve educar, formar sujeitos sociais e críticos e enfrentar as barreiras elitistas de uma sociedade que pouco valoriza a educação.

O Studio permanece aberto e sempre disposto a acolher aqueles que, assim como o Errantz, buscam promover a educação por meio da arte.
Lucas Santos Nobre, Licenciatura em História pela Universidade Federal do Acre – Ufac. Bolsista do Programa de Iniciação Científica – Pibic/CNPq, com o projeto intitulado “Entrecruzos socioculturais: os enunciados dos “corpos” e o mosaico étnico nas/das Interamazônica” com vigência de 2025 a 2026, e membro do Coletivo Artístico Errantz.




