Quase oito meses se passaram desde o incidente que mudou a vida de Renan Felipe Bezerra da Silva, de 32 anos, principal vítima de um acidente de trânsito ocorrido em julho de 2023, no bairro Floresta. Ele conduzia uma moto de 150 cilindradas quando foi surpreendido por um carro Onix que trafegava em sentido contrário. O impacto da colisão resultou na perda da perna esquerda de Bezerra, além de deixá-lo sem movimentos no braço que foi dilacerado pelo impacto.
Atualmente, o homem aguarda a cicatrização das feridas para ser submetido a uma nova cirurgia, enquanto enfrenta dores intensas e a dificuldade de realizar tarefas cotidianas. Nas próprias palavras, ele descreve a situação como devastadora, com a vida praticamente destruída e a dependência de amigos e familiares para a subsistência.
“Minha vida está destruída, porque sem trabalhar, sem poder fazer nada, estou com dificuldade, meu braço não volta ao normal, sinto muita dor. Não tendo ajuda de ninguém, só amigos familiares para comer. Fiquei sem a minha perna, tive a lesão de plexo, ainda tô com uma ferida ainda no braço”, esclarece.
Além das lesões físicas, ele foi acometido por uma lesão do plexo braquial, que compromete os nervos que vão do pescoço até as mãos, o que resulta em dor, fraqueza e perda de sensibilidade e movimentos. A situação emocional dele também é abalada pela sensação de incapacidade e necessidade de ajuda constante para atividades básicas.
E o emocional, toda vez dá aquela sensação de incapacidade, não poder ir ao banheiro, não poder se levantar pra comer, sempre tem que ter ajuda de alguém. Minha esposa teve que sair do trabalho pra me ajudar, sou muito alto, meu irmão não é grande, então minha mãe não ia aguentar. Essa é a situação que eu tô”, explica.
Em relação à pessoa responsável pelo acidente, Caio Henrique de Oliveira Poche, que conduzia o veículo Ônix e invadiu a contramão da pista, o ex-motorista relata que inicialmente houve auxílio financeiro e suporte médico, mas que tais benefícios foram suspensos após a entrada do processo judicial.
“No momento só quando não saiu o processo, ele me ajudou, me dava um salário mínimo, comprava meu remédio, fazia terapeuta com a ajuda que ele me pagava. Depois que ele descobriu que eu entrei com uma ação judicial com ele, cortou tudo”, comenta.
A defesa de Oliveira, o advogado Mário Rosas, alega que o acidente foi ocasionado pela apneia grave do sono do empresário, que teria adormecido ao volante. A questão da saúde de Caio e as circunstâncias do acidente serão avaliadas pela justiça, que buscará uma resolução para o caso.
“Esse apoio da família e do Caio não se resume em palavras. Desde o início a família vem apoiando com prestação pecuniária, médico, apoio também às questões dele. O próprio Caio já chegou a levar ele no médico pessoalmente. Existia, de fato, um pagamento de um salário mínimo mensal, porém, quando a vítima ingressou judicialmente contra a pessoa do Caio, a questão muda de patamar. Então, passa para decidir a questão na justiça, então na justiça, certamente, nós vamos buscar resolver.”, concluiu o advogado.
O inquérito do acidente ganhou um novo capítulo com a atuação do Ministério Público do Acre (MPAC). A promotora de justiça criminal, Aretuza de Almeida Cruz, explicou os detalhes sobre as investigações e o andamento do processo.
Segundo a promotora, ao analisar o inquérito, foi identificado que as vítimas que estavam no carro atingido não manifestaram interesse em representar criminalmente contra o condutor e o garupa da moto envolvida no acidente não foi questionado sobre esse aspecto durante o interrogatório. Diante dessa falha, o MPAC solicitou à Polícia Civil do Acre (PCAC) a coleta de um novo depoimento.
No entanto, o prazo de seis meses para ouvir a outra vítima se esgotou, o que levou o inquérito a estar apto para o oferecimento da denúncia. Mesmo sem um depoimento satisfatório do rapaz, o MPAC decidiu apresentar a denúncia com base nas provas de materialidade e autoria disponíveis, além da representação criminal de uma das vítimas.
O oferecimento da denúncia ocorreu recentemente e agora o caso está sob análise do Poder Judiciário para determinar se a denúncia será aceita. A promotora ressalta que não é possível estabelecer um prazo específico para a conclusão do processo, uma vez que o réu está em liberdade e não há prioridade de trâmite devido a essa circunstância.
“Mesmo não tendo um depoimento satisfatório do rapaz, o Ministério Público decidiu oferecer a denúncia, já que o inquérito possui prova de materialidade suficientes de autoria e a representação criminal de uma das vítimas. Então, foi feito na data de ontem, o oferecimento da denúncia, no que se refere às lesões sofridas pelo senhor Renan, que era o piloto da motocicleta, que ficou lesionado com ação”, enfatiza a promotora.
A representação de Bezerra no inquérito foi destacada, e a promotora esclarece que, mesmo que apenas ele tenha se manifestado até o momento, as demais vítimas poderão ser consideradas em futuras etapas do processo, especialmente no que diz respeito à estipulação da pena. O desfecho do caso permanece em aberto, e aguarda a decisão do Judiciário e o desenrolar das próximas etapas judiciais.
“A partir de agora, o feito está sob a análise do Poder Judiciário para o seu recebimento ou não da denúncia ofertada. Não tem como a gente definir um prazo específico, até porque é um processo em que o réu está solto, ele não tem um trâmite prioritário em razão dessa circunstância, então ele vai ser instruído conforme a disponibilidade da unidade jurisdicional da vara”, completa Almeida.
Matéria em vídeo produzida pelos repórteres Marilson Maia e Wanessa Lima para a TV Gazeta



