Por: Aniely Cordeiro e Daniel Alysson
A chapa ‘Radical é a Mudança’ é formada pelas professoras Raquel Alves Ishii (candidata à reitora) e Suerda Mara Monteiro Vital (candidata à vice-reitora). Entre as principais medidas apresentadas estão propostas voltadas à gestão democrática, transparência orçamentária e fortalecimento das políticas de permanência estudantil na Universidade Federal do Acre (Ufac).
As candidatas afirmam que inicialmente não tinham a intenção de concorrer. Segundo a professora e candidata à reitoria, Raquel Alves, a decisão surgiu a partir de um grupo que defende um projeto de universidade baseado na “indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
Raquel Ishii é formada em Letras – Inglês (2007) pela Universidade Federal do Acre, com mestrado em Letras: Linguagem e Identidade (2011) e doutorado na mesma área (2023), e atualmente atua como professora adjunta de inglês na instituição. Já Suerda Mara é graduada em Letras – Português/Espanhol pela Universidade Federal do Ceará (2005), possui mestrado em Letras: Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (2016) e doutorado na mesma área, na linha de pesquisa Culturas, Narrativas e Identidades Amazônicas (2024), e atualmente é professora no campus de Cruzeiro do Sul da Ufac.
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Transparência e descentralização orçamentária
A descentralização do orçamento é apresentada como um dos principais eixos do plano.
“Devemos fazer aquilo que a atual administração da Ufac deixou de fazer há mais de uma década, ou seja, cumprir e fazer cumprir as cláusulas pétreas do Estatuto desta Instituição Federal de Ensino (IFE), que determinam não apenas a descentralização orçamentária, mas a discussão e deliberação anual dos orçamentos nos colegiados superiores e, em suas respectivas competências, nas assembleias de centros.“, afirma.
Ela destaca que a autonomia universitária está diretamente ligada à forma como os recursos são distribuídos internamente.
“A descentralização orçamentária e financeira deve ser um dos fatores para alcançar a autonomia interna, com a determinação de um percentual de recursos para as atividades fins, distribuído por meio de uma matriz; gestão democrática, centrada nos órgãos deliberativos, voltada aos interesses da Universidade Federal do Acre”, relata.
Entre as primeiras medidas estão a abertura de debates colegiados e a participação das três categorias da comunidade universitária na definição das prioridades de investimento.
Prioridades da gestão
Para a chapa, a melhoria da universidade está associada ao bem-estar da comunidade acadêmica.
“A melhoria da universidade está ligada às condições plenas de trabalho, formação e vivência. É preciso estabelecer um pacto de confiança entre a comunidade acadêmica e a gestão superior”, afirma.
Ishii defende debates sobre orçamento, jornada de trabalho e avaliação docente, além da valorização dos técnicos administrativos.
Entre os pontos destacados estão o combate à precarização do trabalho, cuidados com a saúde física e mental de servidores, integração do Colégio de Aplicação e enfrentamento a diferentes formas de discriminação no ambiente acadêmico.
Restaurante Universitário
O Restaurante Universitário (RU), nos campi de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, é apontado pela chapa como política estratégica de permanência estudantil.
Raquel afirma que um dos principais problemas é a falta de articulação interna na gestão do serviço.
“um dos grandes problemas é a falta de interesse de uma administração superior que não consegue estabelecer o mínimo de diálogo e trabalho conjunto entre as pró-reitorias da instituição”, afirma.
Ela relata que a instituição possui áreas como a Fazenda Experimental Catuaba e a Reserva Florestal Humaitá, que podem ser utilizadas como polos de ensino, pesquisa e extensão voltados à produção de alimentos, contribuindo para a melhoria da qualidade das refeições oferecidas.
A proposta também prevê gestão participativa, com envolvimento dos estudantes na avaliação contínua das atividades do RU, além da ampliação do acesso ao serviço.
“O bom funcionamento dos restaurantes está relacionado à segurança alimentar de discentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica e é nossa prioridade”, relata
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Permanência estudantil e inclusão
A permanência estudantil é apresentada como eixo estruturante do plano de gestão. A chapa defende que políticas como residência universitária, creche e berçário fazem parte de reivindicações históricas da comunidade acadêmica.
Raquel afirma que a evasão precisa ser enfrentada com políticas estruturadas de assistência.
“A evasão é parte de um processo complexo, mas grupos minorizados estão mais vulneráveis e, portanto, devem estar no centro das políticas de assistência estudantil”, afirma.
Entre algumas das propostas estão:
- Contratação de tradutores-intérpretes de Libras;
- Adaptação física dos espaços;
- Criação de ouvidoria para grupos vulnerabilizados;
- Implantação de políticas específicas para pessoas neuroatípicas.
Segundo a candidata, acessibilidade e inclusão devem ser construídas com participação da comunidade universitária, garantindo condições reais de permanência até a conclusão do curso.
“A comunidade acadêmica deve se perguntar, prefere reformar o prédio da reitoria e vice-reitoria ou construir creches, rampas e residência estudantil? Política séria de assistência estudantil, acessibilidade e inclusão são formas concretas de combater a evasão.”, comenta
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Diagnóstico e propostas
Ao avaliar a situação atual da universidade, Raquel Alves aponta três problemas centrais: falta de transparência na aplicação dos recursos financeiros, enfraquecimento das instâncias colegiadas e ausência de políticas estruturadas de acessibilidade e inclusão.
Ela afirma que decisões orçamentárias deixaram de priorizar as atividades-fim da instituição e defende o fortalecimento das deliberações coletivas.
“A falta de transparência na tomada de decisões sobre recursos financeiros se resolve simplesmente cumprindo e fazendo cumprir o Estatuto e Regimento da universidade”, afirma.
Para a candidata, a defesa da autonomia universitária passa pela retomada da gestão participativa.
“Sem a participação das três categorias que compõem a universidade, não se pode falar em inclusão efetiva. Somos uma instituição de ensino. Precisamos ensinar, mas também cuidar”, conclui.
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