“Meu nome é Paulo Lima da Costa, nasci aqui na região, tenho 56 anos. Minha linda na castanha aqui está com 5 anos, mas desde criança estou acostumado a quebrar a castanha. Se não tem outro jeito de fazer, é quebrar a castanha. Quando não é a castanha, é puxar diária por aí, trabalho empregado. Mas sempre nós chamamos aqui, quebramos a castanha todo ano, graças a Deus.”
O relato de Paulo resume a ligação histórica de milhares de famílias amazônidas com a castanha, conhecida também como castanha-do-Brasil. Mais do que alimento, ela é símbolo de identidade, cultura e sustento.
Neste 5 de setembro, Dia da Amazônia, a floresta ganha mais um capítulo de preservação com o projeto Rio Madeira, desenvolvido em parceria com a Embrapa Acre. A iniciativa se consolida como uma das principais ações de valorização da castanha e de incentivo à bioeconomia, unindo conservação ambiental, geração de renda e desenvolvimento social.

Floresta em pé como ativo estratégico
Com atuação em 52 mil hectares distribuídos entre Rondônia e Amazonas, o projeto trabalha em duas frentes: a gestão florestal e o fortalecimento da cadeia produtiva da castanha.
“Esse projeto, para mim, representa um vínculo entre a floresta e a sociedade, daqueles que estão no centro urbano e daqueles que vivem na floresta também”, afirma o pesquisador da Embrapa/AC, Luciano Ribas.
Para isso, a ciência tem sido aliada. Por meio do sistema NetFlora, que combina drones e inteligência artificial, já foram mapeados 26 mil hectares de floresta. O levantamento identificou 27 mil castanheiras e outras 23 espécies florestais, gerando mapas digitais que orientam o manejo sustentável e permitem aos extrativistas acessar informações até mesmo em áreas de difícil alcance.
O pesquisador explica que o projeto também está conectado ao mercado de carbono. “A gente usa os recursos porque existe aquele mercado de carbono. Estamos falando de cerca de 15 milhões de toneladas, envolvendo propriedades particulares com reserva legal registrada e, sobretudo, comunidades que são os guardiões, extraem o produto natural e colocam no mercado”, ressalta Ribas.

Renda e futuro sustentável
Além da conservação, o projeto valoriza os coletores de castanha, que recebem capacitação e apoio logístico para integrar uma cadeia produtiva baseada no uso sustentável da floresta.
Entre as ramificações da iniciativa está o subprojeto Nova Fronteira, que amplia as oportunidades de pesquisa e inovação.
“O projeto Nova Fronteira é um subprojeto do Rio Madeira, que beneficia os coletores de castanha da região. Queremos que esses produtores tenham garantia de venda e que a castanha continue sendo fonte de renda ao longo dos anos. Quando trabalhamos com qualidade e preservação, garantimos o sustento da geração atual e das futuras, e assim ajudamos a manter a floresta”, explica a pesquisadora da Embrapa/AC, Cleisa Cartaxo.
No Dia da Amazônia, o projeto Rio Madeira reforça que a maior riqueza da floresta está na união entre ciência, conservação e as pessoas que dela vivem. Uma herança que atravessa gerações e reafirma: floresta em pé é sinônimo de vida no futuro.
Com informações do repórter Marilson Maia para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



