Ex-colaboradores da antiga Companhia Industrial de Laticínios do Acre (Cila) pressionam o governo estadual a liberar aproximadamente R$ 2,5 milhões em ações trabalhistas que estão pendentes há décadas. Os ex-funcionários, que lutaram na justiça pelos direitos, enfrentam a resistência do governo em efetuar os pagamentos, mesmo após decisões favoráveis nas instâncias judiciais.
Os processos trabalhistas, referentes à reposição de direitos, remontam à década de 90 e já passaram por todas as instâncias legais, com decisões favoráveis aos trabalhadores. No entanto, quando os processos retornam de Brasília, o governo posterga os pagamentos e solicita recursos, o que prolonga o impasse. Segundo informações de ex-funcionários, essa situação já ocorreu diversas vezes durante a gestão do governador Gladson Cameli.
O montante a ser pago, cerca de R$ 2,5 milhões, é destinado a 43 ex-funcionários da Cila, sendo que aproximadamente 10 deles já faleceram, mas os herdeiros têm direito ao recebimento. A questão envolve ainda a tentativa de leilão de um prédio que pertenceu à empresa, mas que foi impedido pelo governo.
Roberto Lima de Albuquerque, 67 anos e ex-funcionário da Cila por 19 anos, é um dos trabalhadores afetados. Ele perdeu a visão há quatro anos e planeja utilizar o dinheiro que lhe é devido para realizar uma cirurgia nos olhos em Minas Gerais ou São Paulo, na esperança de recuperar a visão.
“Como eu preciso, tem outros colegas que estão precisando. A gente está pedindo encarecidamente ao governador, que ele olhe para nós, olhe o nosso sofrimento. Há 32 anos, eu perdi a visão. A minha alteração só é feita fora do Estado, e tudo é particular. Vou tentar fazer essa cirurgia para ver se eu volto a enxergar, porque a gente sem enxergar depois de velho é doído. E o governador só empurrando com a barriga. Obrigado. E nos enrolando e entrando na justiça”, explica Lima.
Em declarações, o ex-funcionário reforçou o apelo ao governador para que atenda às demandas dos ex-funcionários, com destaque para a espera de décadas por direitos. Outros relatos apontam para a dificuldade enfrentada pelos trabalhadores e a necessidade de uma solução para a situação.
“São 43 pais de família, houve 10 eu acho que já faleceram, mas tem uns filhos, tem uns herdeiros que querem dinheiro para fazer um fundo, para fazer alguma coisa em memória daquele cidadão que trabalhou tanto tempo no Estado do Acre, que não era funcionário do Estado. A melhor manteiga do mundo, em Genebra, nós ganhamos. O quinto melhor queijo do mundo, nós ganhamos no Convento de Genebra”, diz.
Ele explica que a empresa cresceu com o trabalho de diversos funcionários que até o momento, mesmo após a morte de alguns, não foram reconhecidos e nem receberam os direitos. Eles conquistaram diversos prêmios internacionais, mas por más pessoas, a empresa faliu.
“Tudo com esforço de funcionários que se dedicaram à vida ali, trabalhando honestamente para engrandecer o nosso Estado. Infelizmente, os governadores botaram pessoas não confiáveis na diretoria da empresa e saquearam a empresa e a empresa que hoje em dia é falida, que era uma empresa importante, erguendo o nome do nosso Estado em todo o mundo, que a gente vendia queijo até para São Paulo e Rio, para reivindicar essa linha estamos nesse problema”, fala.
Marcelo Jucá, presidente do Sindicato dos Urbanistas, criticou a postura do governo em prolongar o sofrimento dos trabalhadores e pediu uma audiência com o governador para discutir a resolução do impasse. A luta dos ex-funcionários da Cila por justiça e pelo pagamento dos direitos reflete as dificuldades enfrentadas por muitos trabalhadores que buscam o reconhecimento dos direitos.
“Porque o governador, ele insiste em aumentar ainda mais a dor desses trabalhadores. São trabalhadores e trabalhadoras que prestaram serviço para a população na época da Cila. É um processo trabalhista há 32 anos que vai para cima, vai para baixo, o governo do Estado continua insistindo em recorrer daquilo que não tem mai”, comenta o presidente.
Matéria em vídeo produzida pelo repórter Adailson Oliveira para a TV Gazeta



