A população indígena do Alto Purus voltou a relatar falhas no atendimento médico do município de Assis Brasil. O cacique Kaxinawá Santo Raimundo, afirmou que a filha grávida não recebeu suporte básico ao chegar à unidade de saúde local.
Ele saiu da aldeia Floresta, às margens do rio Acre, e navegou por mais de cinco horas até Assis Brasil. Ao chegar, não conseguiu uma ambulância para transportar a filha do barco até o hospital e tudo que a equipe ofereceu foi uma cadeira de rodas. O cacique precisou conduzir a jovem pelas ruas de tijolos até a unidade.
Após avaliação médica, o hospital identificou um quadro grave. A paciente foi transferida para Rio Branco, onde está internada na UTI com a filha recém-nascida que nasceu prematura. O cacique acredita que a demora no atendimento agravou a situação.
Segundo o líder indígena, a ala destinada às famílias indígenas na unidade mista de Assis Brasil não opera como previsto. Ele aponta falta de médicos para emergências e registrou denúncia no Ministério Público nesta segunda-feira.
“Eu, como cacique dessa aldeia, preciso de alguma melhoria pra nós. Atendimento nos hospitais, que agora tem núcleo, mas não funciona na prática”, expressou o cacique.

Na semana passada, uma criança indígena morreu, porque, segundo o líder, houve demora no atendimento. De acordo com Raimundo, o atendimento médico para indígenas em Assis Brasil está sendo negligenciado e, em certas ocasiões, assistência chega a ser negada.
O coordenador do Distrito Alto Purus, Evangelista Apurinã, responsável pelos programas de saúde indígena em Assis Brasil, declarou que os atendimentos continuam no município. Sobre a dificuldade para buscar pacientes nas aldeias, afirmou que a solução depende da implantação do SAMU indígena pelo Governo Federal. A proposta inclui veículos terrestres e embarcações para o transporte de pacientes em áreas de difícil acesso.
“A gente tem o resgate aéreo, né? Mas também é necessário fazer a adaptação dessa política pra ela também ser fluvial pra gente poder atender a demanda que existe”, afirmou o coordenador.
O projeto piloto do Samu indígena está em andamento no estado de Mato Grosso, mas ainda não há previsão de expansão para outras regiões.
Com informações do repórter Adailson Oliveira e editada pelo site Agazeta.net.



