Conforme prescrevem as sete Leis Herméticas que regem a realidade por meio de princípios universais, a sexta delas — a Lei de Causa e Efeito — estabelece que, para cada fenômeno manifestado no presente, há uma ou mais causas originadas anteriormente. Partindo desse princípio, para que esteja ocorrendo essa notável “invasão” de pessoas a João Pessoa, algum fator causal deve tê-la antecedido e, consequentemente, produzido tal efeito.
Em um passado não muito distante, fenômenos semelhantes foram observados em outras capitais nordestinas. Houve momentos de grande preferência por Fortaleza (CE), Natal (RN) e, de forma marcante e contínua, por Salvador (BA). Ao que tudo indica, agora chegou a vez de João Pessoa, capital da Paraíba.
Embora não seja possível apontar com precisão quais foram as causas determinantes desse movimento, é sabido que os principais fatores que historicamente impulsionam migrações populacionais incluem: a busca por bem-estar social, melhor qualidade de vida, atrativos climáticos, oportunidades de desenvolvimento socioeconômico, perspectivas de crescimento e um custo de vida mais acessível, entre outros.
Ainda assim, não saberíamos distinguir qual desses aspectos — ou quais deles combinados — contribuiu de maneira mais decisiva para que pessoas de diferentes regiões do Brasil voltassem suas atenções à capital paraibana. Fato é que tais preferências já resultaram na fixação residencial de um expressivo contingente de novos moradores e continuam atraindo grande número de turistas, especialmente neste período do ano, conhecido como alta temporada, provocando uma perceptível transformação no cotidiano da antes pacata João Pessoa.
No cenário atual, é possível observar reflexos diretos desse movimento: hospedagens completamente lotadas, restaurantes e bares enfrentando dificuldades para atender à demanda crescente, praias tomadas por banhistas, além de serviços essenciais — como assistência social, atendimento à saúde e segurança pública — operando no limite de suas capacidades. Soma-se a isso o impacto sobre a infraestrutura viária, que, diante do aumento significativo da frota de veículos em circulação, tem enfrentado sérios transtornos no trânsito urbano.
João Pessoa, que por décadas sustentou um ritmo mais tranquilo e previsível, vê-se agora diante de um novo capítulo de sua história: desafiador, movimentado e repleto de contrastes, exigindo adaptação tanto da cidade quanto daqueles que a redescobrem e a escolhem como destino.

Raimundo Ferreira de Souza. Bibliotecário e Mestre em Ciência da Informação. Funcionário público federal aposentado. Cronista social.



