O mês de janeiro de 2026 acendeu um sinal de alerta no Acre. Dados do levantamento estatístico de ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBMAC) mostram um aumento expressivo no número de incêndios em comparação com o mesmo período de 2025. Apenas em janeiro, foram registradas 67 ocorrências em todo o estado, sendo 47 em Rio Branco, quase o dobro dos números do ano anterior, quando houve 34 ocorrências no Acre e 23 na capital.
No levantamento, não entram os incêndios florestais, mas são contabilizados princípios de incêndio, incêndios propriamente ditos, ocorrências em residências e em edificações públicas. Em janeiro de 2024, os registros haviam sido ainda menores, 27 ocorrências no Acre e 16 em Rio Branco, o que evidencia uma escalada preocupante ao longo dos últimos três anos.

A comparação entre os períodos evidencia um crescimento significativo dos atendimentos, sobretudo em áreas urbanas, o que levanta questionamentos sobre os fatores que podem ter contribuído para esse aumento. De acordo com o Corpo de Bombeiros, diversas causas estão associadas aos registros, incluindo descuidos com instalações elétricas, uso inadequado de equipamentos, falhas na rede interna das residências, problemas relacionados ao uso do gás de cozinha e até incêndios criminosos.
“Vários fatores podem ter ajudado para a construção desses números. As causas podem incluir os descuidos com a fiação das residências”, explica o capitão Ricardo Moura, subdiretor de Planejamento do CBMAC e especialista em Perícia de Incêndio e Salvamento Terrestre.
Segundo o oficial, é comum que residências utilizem instalações antigas ou subdimensionadas, que não acompanham o aumento da quantidade de equipamentos elétricos utilizados atualmente, o que amplia consideravelmente o risco de curto-circuitos e incêndios.
Fiação elétrica lidera riscos em ambientes domésticos
Entre os principais riscos apontados estão fiações antigas, fios mal conectados, tomadas sobrecarregadas e o uso excessivo de extensões e benjamins, conhecidos popularmente como “T” ou “réguas”. Esses dispositivos facilitam a sobrecarga elétrica ao permitir que vários equipamentos sejam ligados em um único ponto que não foi projetado para suportar tanta carga.

“Não realizar ligações clandestinas, não sobrecarregar tomadas e contratar profissionais qualificados para realizar serviços elétricos são cuidados essenciais. Instalações muito antigas devem ser revisadas para serem compatíveis com o aumento de equipamentos da residência”, orienta o capitão Ricardo Moura.
O uso de extensões e benjamins, segundo ele, aumenta significativamente o risco de incêndio.
“Esses dispositivos facilitam a sobrecarga elétrica, pois permitem conectar vários aparelhos em um único ponto de energia que não foi projetado para suportar tanta carga”, alerta.
Para reduzir os riscos, o Corpo de Bombeiros orienta que esses equipamentos não sejam utilizados como solução definitiva, especialmente com aparelhos de alto consumo.
“Nunca use benjamins ou extensões para air fryers, micro-ondas, máquinas de lavar, secadores de cabelo, ferros de passar ou aquecedores. O ideal é instalar mais tomadas se houver necessidade constante”, reforça.
Uso inadequado do gás amplia risco de incêndios
Outro fator de risco recorrente envolve o uso incorreto do gás de cozinha. Mangueiras fora do prazo de validade, botijões instalados em locais fechados ou sem ventilação adequada estão entre os problemas mais comuns identificados durante as ocorrências atendidas.
“A regra de ouro é manter o botijão em local arejado, preferencialmente externo e sempre na posição vertical”, orienta o capitão Ricardo Moura.
Em situações de curto-circuito ou princípio de incêndio, a orientação é agir com rapidez, mas sem colocar a vida em risco.
“A primeira reação deve ser desligar o padrão de energia. Se houver extintor do tipo BC ou ABC nas proximidades, ele pode ser usado para conter o foco inicial, desde que não haja risco”, explica.
Em seguida, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado imediatamente pelo telefone 193.
“Ao ligar, é importante informar o endereço com precisão, pontos de referência, se há vítimas no local, o tipo de edificação e se o acesso é fácil ou difícil”, orienta.
Crianças, idosos e segurança coletiva
Crianças e idosos estão entre os mais vulneráveis em situações de incêndio e exigem atenção redobrada.
“Evitar deixá-los sozinhos é uma das principais medidas de proteção”, alerta o capitão.
Quanto aos equipamentos de segurança, o Corpo de Bombeiros esclarece que, em residências unifamiliares, não há obrigatoriedade legal, mas a recomendação é a instalação de ao menos um extintor do tipo ABC. Já em prédios, as exigências dependem do projeto de prevenção contra incêndio e pânico, que deve ser aprovado pelo setor responsável (DATOP).
Para síndicos e administradores, a orientação é manter equipamentos revisados, promover treinamentos, garantir rotas de fuga desobstruídas e manter a documentação técnica atualizada.
Atenção máxima e prevenção contínua
Diante do aumento expressivo de ocorrências em janeiro de 2026, o Corpo de Bombeiros reforça que o momento exige atenção máxima da população.
“Evitar deixar velas acesas, não deixar equipamentos ligados sem supervisão, não improvisar instalações elétricas e contratar profissionais qualificados são medidas essenciais. Pequenas atitudes geram grandes e positivos resultados”, conclui o capitão Ricardo Moura.
Por Danniely Avlis e Daniel Allyson, com produção de Gisele Almeida.



