Dois homens foram condenados e um absolvido nesta segunda-feira (14) pelo Tribunal do Júri da 2ª Vara de Rio Branco, em julgamento que apurou o assassinato de Elvisklei Farias Pereira, de 24 anos, morto em setembro de 2023. O crime foi executado por integrantes do chamado “Tribunal do Crime”, ligado a uma facção criminosa.
Os réus Edson de Souza Machado, conhecido como “Béreu”, e Jhon Detlevis Monte Ribeiro, o “Porquinha”, foram considerados culpados pelos crimes de homicídio qualificado e integração em organização criminosa, recebendo penas de 32 e 26 anos de prisão, respectivamente, ambas em regime fechado. Já Welison da Silva Chagas, o “Pestana”, foi absolvido das acusações.
De acordo com o Ministério Público do Acre (MP-AC), a vítima foi atraída para uma emboscada após ser contatada por um perfil falso de uma mulher nas redes sociais. Ao chegar ao local, Elvisklei foi rendido, levado até a margem do Rio Acre e executado com as mãos e os pés amarrados.
Durante o julgamento, Jhon confessou o crime e disse que o mandante foi Jeremias Lima de Souza, apontado como uma das lideranças do “Bonde dos 13″, morto a tiros em dezembro do ano passado. O acusado afirmou que tentou impedir o homicídio, mas não conseguiu desobedecer à ordem do chefe da facção.
Edson também admitiu participação e confirmou a presença no local do crime. Ambos eram monitorados por tornozeleira eletrônica, o que ajudou a polícia a comprovar o envolvimento.
A motivação teria sido um suposto abuso sexual contra uma menina de 13 anos, sobrinha de Jhon. Segundo o inquérito, a informação foi repassada ao mandante Jeremias, em vez de à polícia, e o “Tribunal do Crime” decidiu pela execução. No entanto, em depoimento, Jhon afirmou que a própria criança negou ter sido abusada.
Relembre o caso
O corpo de Elvisklei Farias Pereira foi encontrado no dia 13 de setembro de 2023, no Rio Acre, com sinais de tortura e as mãos e os pés amarrados. A cena chocou moradores da região e mobilizou a Delegacia de Homicídios, que rapidamente identificou os suspeitos.
As prisões ocorreram ainda no fim do mesmo mês, após rastreamento das tornozeleiras eletrônicas dos envolvidos. O caso ganhou grande repercussão por expor o funcionamento do chamado “Tribunal do Crime”, sistema paralelo de julgamentos criado por facções criminosas para punir supostos “infratores” dentro das comunidades.
Com o fim do julgamento, o processo agora segue para a execução penal dos condenados.
Com informações do repórter Luan Rodrigo, para a TV Gazeta



