A promessa de revitalizar a orla do Rio Acre, em frente ao mercado do Bairro 15, segue distante da realidade. Após cinco anos de obras, o cenário ainda é de lentidão e preocupação. A primeira etapa (a contenção do rio) não chegou nem à metade da execução, e os moradores duvidam que o governo consiga cumprir o prazo de entrega previsto para 2026.
A contenção é feita com o uso de “colcha de concreto”, um material em forma de bolsas de concreto instalado no barranco para estabilizar o solo. Mas, segundo os moradores, apenas uma pequena parte foi coberta até agora. O receio é que, com a chegada do período de chuvas, a correnteza leve o material embora, como já ocorreu anteriormente.
“A gente fica bastante preocupado. Obras como essa, e tantas outras, acabam sendo jogadas por água abaixo. São recursos, são impostos que a gente paga. A orla é um sonho antigo do povo do Bairro 15, mas o tempo está passando e nada acontece”, desabafou Joaquim Bozo, presidente da Associação de Moradores do bairro.
O medo da comunidade não é infundado. Nos últimos dois anos, a força da correnteza destruiu parte do trabalho já feito, obrigando a Secretaria de Obras a refazer os serviços e gerando mais custos. O investimento inicial de R$ 21 milhões vem aumentando a cada ano devido às perdas de material e à demora na execução.
O projeto prevê a construção de quiosques, praças, mirantes e áreas verdes, mas por enquanto, o que se vê é uma obra parada. Com as chuvas, as equipes enfrentam dificuldades para preencher as bolsas de concreto, o que reduz o ritmo do trabalho e aumenta o risco de infiltrações no barranco.
“Ali na curva o rio ganha muita força. A água pode entrar por baixo do concreto, soltar o barro e levar tudo de novo”, explicou Joaquim, apontando para o trecho mais crítico da obra.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Obras do Estado informou, por meio de nota, que os trabalhos continuam, ainda que em ritmo reduzido por causa das chuvas. A pasta reforçou que a intervenção é essencial não apenas para o Bairro 15, mas para toda a cidade, e mantém a previsão de conclusão das obras para 2026.
Enquanto isso, os moradores seguem à espera de um resultado concreto, antes que o rio leve, mais uma vez, o que já foi feito.
Com informações do repórter Adailson Oliveira, para a TV Gazeta



