Em vídeo publicado nesta quinta-feira (29), o ex-prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim, se pronunciou sobre a Operação Graco, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), que apura suspeitas de desvio de recursos públicos federais.
Segundo a CGU, o contrato investigado alcança R$ 1,3 milhão, dos quais R$ 912 mil foram considerados sobrepreço. A investigação envolve recursos oriundos das chamadas “emendas Pix”, modalidade de repasse direto da União a estados e municípios, sem necessidade de convênios ou prestação de contas prévia.
No vídeo, Mazinho afirmou que recebeu agentes da Polícia Federal em sua residência na manhã desta quinta-feira e negou qualquer irregularidade.
“Tive a visita da Polícia Federal, eles vieram na minha casa e conversaram comigo. A única coisa que levaram foi um celular. Perguntaram se tinha dinheiro na minha casa, não tinha nem um centavo. Acharam 300 reais na minha carteira, normal, nem levaram”, declarou.
O ex-prefeito disse ter tomado conhecimento da operação por meio da imprensa e relacionou a investigação a despesas realizadas durante a ExpoSena 2024, evento promovido no município.
“Estou sabendo, através da imprensa, que é questão de show de 2024 da Exposena. Esclarecer para a população que isso aí não procede. O que foi gasto na Exposena, novecentos e poucos mil reais, foi com todos os cantores e todas as despesas”, afirmou.
Mazinho também alegou que os gastos teriam sido acompanhados por órgãos de controle.
“Isso foi acordado na época com o Ministério Público de Sena Madureira”, disse, acrescentando que o evento teria arrecadado recursos para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). “Com essa festa, arrecadamos cerca de cento e quarenta ou cento e sessenta mil reais para a Apae.”
Sobre o mandado de busca e apreensão, o ex-prefeito afirmou ter sido surpreendido pela decisão.
“Me chega, por surpresa, um mandado de busca e apreensão da ministra Cármen Lúcia. Agora vamos esclarecer realmente o que foi isso, mas até então eu posso confirmar que não tem nada de irregular, está tudo normal”, declarou.
Em outro trecho, Mazinho disse que pretende se manifestar publicamente para evitar julgamentos antecipados.
“Muitas vezes as pessoas julgam sem saber da verdade. Quem me conhece sabe da minha índole. Eu não tenho nada a esconder”, afirmou.
Ele também ressaltou que, durante sua gestão, recursos públicos foram aplicados em diversas áreas.
“O dinheiro público foi gasto em todas as áreas, inclusive cultura, mas também saúde, educação, ramais e maquinário.”
A Operação Graco apura suspeitas de desvio de recursos públicos federais e, além do ex-prefeito Mazinho Serafim, cita o deputado federal Eduardo Velloso e o advogado Giordano Simplício Jordão. Ao todo, a Polícia Federal cumpre 14 mandados de busca e apreensão no Acre e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota, o deputado Eduardo Velloso afirmou que a “contratação de serviços e a fiscalização da aplicação do dinheiro público é exclusiva da gestão municipal”. As investigações seguem em andamento.



